35 anos sem Cortázar

Autor de ‘O Jogo da Amarelinha’ e ‘Bestiário’, entre outras obras exemplares, o argentino é um dos principais escritores do século 20; conheça três livros sobre o escritor.

Clique e leia a última entrevista de Cortázar, concedida ao jornal Clarin, em Buenos Aires, em 3 de dezembro de 1983.

Julio Cortázar morreu, aos 69 anos, no dia 12 de fevereiro de 1984, em Paris. Argentino nascido em Bruxelas – seu pai era funcionário da embaixada argentina na Bélgica – foi um dos grandes nomes da literatura latina. Suas obras marcaram o século XX, com uma narrativa às vezes complexa, mas envolvente. Deixou obras como O Jogo da Amarelinha, Histórias de Cronópios e de Famas, Bestiário, As Armas Secretas, Final de Jogo entre outras.

Cortázar iniciou sua vida profissional como professor de escola no interior da Argentina. Em 1944, começou a ministrar aulas de literatura francesa na Universidade de Mendoza. Lá, um ano depois, foi preso depois de participar da ocupação da universidade junto com os alunos. Depois disso, mudou-se para Buenos Aires. Em 1951, já estava em Paris, onde começou a trabalhar como tradutor da Unesco. Na capital francesa viveu nos 33 anos seguintes. Durante todo esse tempo, só voltou sete vezes à capital argentina.

Pouco antes de morrer, Cortázar visitou pela última vez Buenos Aires (Clarin/Dani Yako)
.
Clique e leia a última entrevista de Cortázar, concedida ao jornal Clarin, em Buenos Aires, em 3 de dezembro de 1983.
.

Na década de 60, Cortázar começou a militar a favor dos movimentos revolucionários na América Latina. Em 1973, publicou Livro de Manuel e ganhou o Prêmio Médicis. Em 1976, com o golpe militar na Argentina – a ditadura só terminaria em 1983 -, Cortázar cedeu seus direitos autorais para ajudar organizações de defesa dos direitos humanos que tentavam conseguir a liberdade dos prisioneiros políticos argentinos.

Em 1981, foi duramente criticado por renegar a cidadania argentina e se tornar cidadão francês, depois de trinta anos de exílio em Paris.

Com o fim da ditadura militar na Argentina, Cortázar viajou em dezembro de 1983 para sua terra natal. Visitou sua mãe, Maria Hermínia Descottes, numa espécie de despedida. O escritor tinha noção de que estava doente e em fase terminal. FEle já sabia de seu estado terminal, , da ditadura militar, Cortázar viajou para Buenos Aires para visitar sua mãe, Maria Hermínia Descottes. Ele estava doente e sabia que estava em seus últimos dias de vida. Retornando a Paris, faleceu no dia 12 de fevereiro de 1984. À época, deu-se como leucemia a causa de morte. Porém, em 2014, a jornalista Cristina Peri Rossi, amiga do escritor, disse que ele morreu de aids, após ser infectado numa transfusão, numa época em que doença ainda não tinha nome.

Julio Cortázar, um dos mestres do realismo fantástico.

.
Cortázar a três tempos:

Segundo resenha do jornal “O Estado de São Paulo” três livros editados no Brasil podem ajudar o leitor interessado na obras de Cortázar a percorrer o universo do autor.

“…Um deles é A Fascinação das Palavras – Conversas com Julio Cortázar, “um livro muito doido”, nas palavras do autor, que foi escrito a quatro mãos ao longo de dois anos com o amigo de mais de uma década Omar Prego Gadea.

O segundo é Aulas de Literatura: Berkeley, 1980, que compila as palestras proferidas na universidade americana. Os dois títulos foram lançados pela Civilização Brasileira, do Grupo Record, que detinha o direito de publicação da obra de Cortázar no Brasil até o ano passado, quando o autor passou a integrar o catálogo da Companhia das Letras. A nova editora promete para maio uma outra edição de O Jogo da Amarelinha e também prevê um volume com todos os contos de Cortázar. Enquanto a editora não lança as novas edições, o leitor ainda encontra os volumes da Civilização Brasileira.

O terceiro, publicado pela Dsop, é Julio Cortázar – Notas Para Uma Biografia, de Mario Goloboff, que apresenta o escritor como um verdadeiro pesquisador: de novas formas, de novas aventuras, de novas possibilidades para a literatura…” (O Estado de São Paulo, caderno de Cultura de 12/02/2019)

Leia contos e fragmentos da obra de Júlio Cortázar, aqui

________________________
Texto base extraído do jornal O Estado de São Paulo

Arquivos

Categorias

Meta