A indiazinha de Chapeuzinho Verde

  –  Um (re)conto de Maria Lucia Takua Peres  –

Apyká: Os guarani esculpem animais em madeira, em diversos tamanhos, celebrando a sua existência.  (Foto: Internet)

“A terra não é nossa, nós somos da terra”

 
Era uma vez uma indiazinha chamada de Chapeuzinho Verde que morava com sua mãe Takua, seu pai Karai e seu irmão Tupã Pepo num sitio perto da cidade.Ela tinha mais duas irmãs que moravam no Tekoha, Kuña Ñemboaguera e Takua Poñy, também sua vovó Ilma Takua.
 
Chapeuzinho Verde não gostava de morar no sítio e queria mesmo morar no Tekoha, porque gostava muito de animais, e da floresta, principalmente da sua vovó. Ela estudava, praticava futebol, alegre e brincalhona. Um dia ela ficou muito triste e queria ir para aldeia visitar suas irmãs e sua avó Ilma Takua que adorava contar história, e disse.
 
-Mãe eu posso ir à aldeia na casa da minha vovó ouvir histórias e levar um pouco de carne que está na geladeira?
 
A sua mãe disse:
 
-Claro minha filha! Pega a bacia azul coloca a carne e cubra com o pano verde.
 
Chapeuzinho Verde toda feliz se preparou, vestiu sua poupas mais linda que estava no guarda roupas, colocou o óculos e pegou o celular e colocou no bolso e foi para o ponto de ônibus, depois de cinco minutos chegou e ela embarcou para o Tekoha, quando desceu na entrada do Tekoha, perto de restinho de floresta, lá estava o Lobo, ela desceu e disse:
 
-O que você está fazendo aqui Lobo? Ele respondeu.
 
-Estou com muita fome e estou procurando comida, ainda bem que você chegou para matar a minha fome.
 
-O que? Disse Chapeuzinho Verde, se você está pensando isso você esta muito enganado, seu Lobo.
 
O Lobo disse:
 
-Já andei por tudo a procura de comida no restinho da floresta, mas não encontrei nada, os caçadores já mataram todos os meus alimentos e destruíram o meu habitat, por isso estou saindo na rua à procura de comida.
 
-Entendi, disse Chapeuzinho Verde. Eu também estou na mesma situação.
 
-Eu tenho um pouco de carne aqui nesta bacia que estou levando para a minha vovó, sou indígena, gosto muito de animais da floresta, eu sei que você não é mau, você só esta com muita fome, se você aceitar a minha amizade te dou um pouco de carne.
 
-Nossa! Disse o Lobo.
 
-Você é muito esperta, alem de esperta é linda, alegre, e humilde e gosta de ajudar os outros.
 
-Só você entendeu a minha necessidade, por isso vou aceitar a sua carne e sua amizade.
 
Chapeuzinho Verde ficou muito feliz e tirou pedaço de carne e deu ao Lobo, depois de ele matar a fome, os dois saíram a caminho do Tekoha e chegaram à casa da vovó Ilma.
 
A vovó disse:
 
-Chega minha netinha! Você está linda, linda. Como se chama essa pessoa que esta com você?
 
-Ele e meu amiguinho que encontrei no caminho e viemos te visitar, ele se chama Lobo.
 
– Quem bom! Disse a vovó.
 
-Eu senti tanta saudade de você minha vovozinha!Por isso trouxe esta carne para o seu almoço que minha mãe mandou.
 
-Que bom minha netinha!
 
A vovó feliz preparou o seu almoço com muito carinho.
 
Enquanto ela prepara o almoço, os dois saíram passear e chegaram à casa das suas irmãs, Kuña Ñemboagueravy e Takua Poñy e também fizeram caminhadas na trilha e passearam pela roça,onde tinha plantação de milhos, mandioca, batata-doce, feijão, amendoim e cana de açúcar, também foram visitar a casa de reza, conversou com o chamoi, olharam os instrumentos religiosos, admiraram os artesanatos, depois voltaram e se deliciaram com a comida preparada pela vovó, no almoço tinha carne com arroz, refrigerante e mandioca, eles ficaram amigos inseparáveis lutando pelo mesmo objetivo, ajudando uns aos outros.
 
Os dois gritaram: – Somos amigos!. “A terra não é nossa, nós somos da terra”.
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Maria Lucia Takua Peres é guarani, vive na aldeia Tekoha Aty Mirî, na cidade de Itaipulândia, localizada na faixa de fronteira. É formada em Letras pela Unioeste – campus Foz do Iguaçu, Pr. (Re)Escreve contos sob a ótica índigena.

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