Antonio Candido

  –  O centenário de um intelectual que pensou e militou pelo País  –  

O professor Antonio Candido em debate universitário (Fotos: internet)
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Nesta terça-feira (24) comemora-se os 100 anos de Antônio Cândido, o mais destacado crítico literário, sociólogo e ensaísta de seu tempo. Um pensador cuja obra é traduzida e discutida nos círculos intelectuais de diversos países. Morto há pouco mais de uma ano, ele receberá várias homenagens pelo país afora.
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Candido nasceu no Rio de Janeiro, em 1918. Em 1939, ingressou no curso de Direito e de Ciências Sociais e Filosofia, ambos na USP. Ele desistiu do Direito no quinto ano, mas se formou em Ciências Sociais e Filosofia, em 1942, mesmo ano em que iniciou sua carreira universitária na USP, como professor assistente, a convite de Fernando de Azevedo.  Antonio Candido de Mello e Souza morreu em 2016, aos 98 anos de idade. Ele foi casado com Gilda de Mello e Souza, professora de Estética na FFLCH, que morreu em 2005.
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No vídeo abaixo, Antonio Candido analisa a obra de Guimarães Rosa:

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Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa) – por Antonio Candido

Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa) – por Antonio Candido

Publicado por João Guimarães Rosa em Domingo, 29 de maio de 2016

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Crítica literária –
 Antonio Candido destacou-se ao antecipar a compreensão da literatura como uma das expressões de nossa cultura em Formação da Literatura Brasileira, sua obra mais conhecida e indicada a acadêmicos dos cursos mais diversos. Sua busca foi aproximar o estudo da Literatura ao da sociedade.  Embora consagrado pela atuação nesse universo, Cândido se debruçou sobre várias outras questões nacionais. Em quase oitenta anos de atuação, falou também sobre a vida no campo, modernização do país, cultura popular, sociologia e filosofia.
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Era considerado o último representante vivo da geração que revelou Mário de Andrade, Sergio Buarque de Holanda e outros pensadores compromissados com o Brasil.

 

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Militância partidária – A vida de Antônio Cândido foi marcada não só pela sua imensa carreira intelectual dentro da literatura, como também pela sua atuação política dentro da esquerda brasileira. A história do pensador se completou com um alinhamento pela busca de um Brasil mais justo e solidário.
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O ativismo político de Cândido começara décadas antes, na luta contra autoritarismo no Estado Novo. Primeiramente atuou nas fileiras do Partido Socialista Brasileiro. Autêntico humanista, teve militância política partidária destacada. Esteve sempre alinhado pelas ideias de liberdade e justiça social. Resistiu à ditadura militar, defendendo a democracia.
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A partir da década de 80, dedicou-se à construção do PT – Partido dos Trabalhadores, agremiação da qual Cândido foi um dos principais pensadores na sua primeira etapa. Ele percorreu o país, elaborou programas de governo e ajudou a moldar as diretrizes dos movimentos sociais ao longo das décadas. Também presidiu o Conselho Curador da Fundação Wilson Pinheiro e colaborou destacada e permanentemente com a Fundação Perseu Abramo.
Antonio Candido, na luta por democracia e socialismo na década de 40
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Seu alinhamento na defesa da democratização do conhecimento e da cultural como elemento básico para a transformação radical da sociedade será sempre lembrado como raro e exemplar.
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“Acho bonito isso que o MST (Movimento dos Sem Terra) faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação e notícia”, disse Cândido em uma de suas últimas entrevistas, concedida ao jornal Brasil de Fato em 2012 e que pode ser lida na íntegra, clicando aqui.

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Clique aqui e leia “O Direito à Literatura”, de Antonio Candido

Clique aqui e leia especial da revista USP: Antonio Candido 

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Guatá/Fonte: F.PerseuAbramo. De Thais Reis

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