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Aos Homens, um texto de Tathiana Guimarães

Meus queridos.
Não, eu não sou sua mãe.
Meu amor não é incondicional.
Quero e preciso te ver evoluir
A este sistema de crenças que explora, segrega, estigmatiza, oprime, desvaloriza, nos consome e distancia.
Quero te ver amadurecer.
Zelar pelos cuidados físicos, mentais e das emoções de tod@s nós, que te cercamos
Que te cuidamos,
Que te suplantamos,
Que te admiramos,
Que te queremos,
Não por te necessitarmos.
Mas por te termos como parte de nosso processo natural de maternidade, de construção, de reconhecimento, relacionamento e socialização.
Te considero e idealizo como alguém que possa ser digno da entrega e partilha desta ínfima vida. Acredito na nossa capacidade empática, sentimental e de muito mais entrega compartilhada, sincera, nas interações com o mundo. Sei que não foi isso que aprendeste, sendo sempre priorizado em suas vontades. E as consequências aqui estão. Nos conflitos de nossa relação. Na violência que transborda da contrariedade das expectativas que temos um do outro.
Posso te dizer que buscamos cumplicidade.
A consideração que o mundo nos nega.
Não quero servir a seus caprichos e necessidades moduladas. A sua inconstância, vaidade e intolerância. A seus prazeres como mais um dos inúmeros objetos eróticos e momentâneos. Sei da fragilidade de seu gozo, inconsistência de sua lealdade e das conveniências que regam seus pensamentos e anseios. No fundo, sei também da insegurança e ma criação acampada em toda esta lubridiada sensação de liberdade e poder.
E por isso, te recuso.
Não por não te amar. Mas por reprovar a sua egoica vulnerabilidade.
Querido. O mundo nos impõe a desigualdade. E você compactua com ela.
Me despreza e diminui nos seus privilégios.
Me escraviza e ignora na sua falsa modéstia, impulsos e zona de conforto.
Sinto muito, meu bem.
A vida me ensina a transformar.
A inquietar-me sob a hipocrisia e as dores que brotam em nossos corações nesta dinâmica. Prezo por mim e por ti ao conter-me.
E assim, consciente da imprescindível força dos ombros alinhados para potencializar nossa coexistência, não me submeto a caminhada desnivelada e desprovida de uma honesta reflexão.
Que disposição tens para assumir o fardo das benesses do seu gênero sobre mim? Sobre nós, Mulheres? De combate-lo começando pela desconstrução de comportamentos, desejos, leis e regras que nos impõem, diferencia, distância e impede a nossa verdadeira horizontalidade?
Sou mulher. Me honro do que sou. Mas, do que sou em integralidade. E não do que o seu mundo quer ou me reduz para continuar servindo a ti, Homens. E sou alguém que sente, que vê, e espera te ter um dia como um Parceiro disposto a me suportar, para juntos edificarmos os pilares da vida e do amor. Amor este, não unilateral, mas um amor reciproco, nutrido pela troca entre seres que querem se respaldar, unificar esforços diários para potencializar nossas habilidades, sobrevivência, a fim de conquistar assim, os mesmos espaços na sociedade que permita a concretização de cada sonho que possamos aspirar, juntos ou separadamente.
Sejamos uma equipe, e não estepes utilitários. Alicerces sujeitos deste novo cenário onde a guerra retroalimentada pela competição, ressentimento e revelia, seja superada pela consciência do que precisamos promover juntos. Resistência a Violência, a Exploração e aos Abusos praticados contra nós. Carinho, Valorização e Compreensão sobre nossas proveniências. E muito Respeito e Equidade – esta ancoradas nos mais elevados valores da sensibilidade e cuidado humano.
E que assim, sejamos, Para Todos os Nossos Dias.

Tathiana Guimarães é cientista social em Foz do Iguaçu, Pr.

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