Apelo d’alma

    – Um poema de Lisete Barbosa.
‘Tambores’, uma foto de Luciana Lourenço –  

 

maracatuatomico

Chamado da alma
Sou da tribo do vento
Tenho alma selvagem
Minha mente é imensidão
Como um céu em tempestade
As sombras da noite me acolhem
Protegem os segredos mais ocultos
Não intento revelar ou decifrá-los
Eles sussurram, apelam e gritam
Outras vezes choram às escondidas

É pesado o fardo que carrego
Meu caminhar pelo mundo se torna lento
Ao largo do caminho acompanha meu pranto
Repouso em seu colo
Ressonando com o sonho das liberdades
O bater das asas, por vezes parece leve
Em outros perco as esperanças
Não me encaixo em nada

Assim eu sigo, porque tu nunca vais me abandonar
Tudo faz parte do meu ser: as dúvidas, os medos, a coragem, o choro, os lamentos, os sonhos, as tempestades, o amor, as paixões…
Todos são filhos do meu ventre
Ligados em mim
Pelo cordão umbilical
Faz parte do meu ser
És minha maleta onde carrego
meus sonhos, meus rezo, meus cansaços

A loucura que envaidece
O silencio muitas vezes é provação
Privação d’a alma, é um pedaço de pão no cárcere escuro
Passado e futuro são calafrios na minha alma
Então o sol despontou no horizonte
A luz invade todos os cantos
Por um instante acreditei e fiz festa
Meus olhos se encheram alegria e paz
A brisa bateu suave no rosto

Meu pensamento viaja
Que o chamado da alma ouvido
Plantar a semente do amor
Colher jantares e sobremesas, acordos de paz, infernos astrais e positividades
A perfeição e o imperfeito
andam lado a lado, são falhas e acertos
Todo Ser carrega em si o seu fardo, de alegrias, sorrisos, trapalhadas, choros e desesperos
Deixa! Deixa sua alma falar

________________________________
Observação: O poema foi publicado originalmente na revista Escrita 42, em 2016. Revisitado e atualizado pela autora em 2019.

Lisete Barbosa Lisete Barbosa, Economista, mestranda em Integração Contemporânea da América Latina na Unila, em Foz do Iguaçu, Pr.
Luciana Lourenço é assistente social em Foz do Iguaçu, Pr.


Arquivos

Categorias

Meta