Boa leitura

Biblioteca Pública do Paraná ganha óculos para cegos e pessoas com visão reduzida

Gisele Zolnier (37), cega desde os 11 anos: É um equipamento de utilização simples, fácil para nos adaptarmos com a voz e com as funcionalidades (Fotos: AEN)

A partir de fevereiro, cegos e pessoas com visão reduzida poderão utilizar a mais moderna tecnologia de visão artificial do mundo para acesso a livros e artigos na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. A instituição recebe quatro aparelhos OrCam MyEye – um dispositivo acoplado a um óculos que fotografa os textos, escaneia e os transforma em áudio.

A velocidade da leitura pode ser controlada, variando de 100 a 250 palavras por minuto. Na Biblioteca, a função vai ser traduzir os livros para quem não pode ler sozinho, mas o aparelho consegue ainda identificar cores e tonalidades, reconhecer pessoas e gêneros, rostos, informar a data e hora e até cédulas de dinheiro.

“Mais que um leitor de textos, o OrCam MyEye possibilita autonomia ao usuário. A Biblioteca sempre visa a integração de seus usuários e, com esse dispositivo, contaremos com uma importante ferramenta para a inclusão”, comemora Ilana Lerner, diretora da Biblioteca Pública do Paraná.

Informar e estudar – A jornalista Gisele Zolnier (37) perdeu a visão ainda aos 11 anos de idade, por causa de um acidente doméstico. Desde então, precisou se adaptar à leitura em braille para se informar e estudar, por exemplo, além de audiobooks. Ela testou a tecnologia do OrCam MyEye durante o evento na BPP, e elogiou a possibilidade de ler uma variedade maior de conteúdos.

“O método braille é muito útil para alfabetização e rotulagem, mas o óculos permite a leitura de coisas mais complicadas, como jornais, documentos ou dinheiro. É um equipamento de utilização simples, fácil para nos adaptarmos com a voz e com as funcionalidades”, destacou Gisele.

Rodrigues da Rosa: “Testamos esta nova versão no Instituto, ela está muito mais versátil e simples de usar”

Avançada – Já o presidente do Instituto Paranaense de Cegos (IPC), Ênio Rodrigues da Rosa, conheceu uma das primeiras versões do equipamento e destacou que a que chega à Biblioteca Pública é bem mais avançada. “Testamos esta nova versão no Instituto, e ela está muito mais versátil e simples de usar”, afirmou Ênio.

A representante comercial da empresa que produz os óculos, Tatiana Rigler, afirma que o equipamento é bastante completo. “Ele permite a leitura em português, inglês e espanhol, tem funcionalidade de identificação de produtos comuns do dia a dia, das pessoas pelo rótulo ou embalagem, faz a leitura de cédulas de dinheiro, documentos e até mesmo a identificação facial de pessoas”, disse Tatiana.

O Paraná é um dos primeiros estados brasileiros a proporcionar esta solução inovadora, que permite a leitura e a identificação de pessoas pelos rostos, dentre outras funcionalidades. No total, cinco aparelhos foram adquiridos pelo Departamento de Política da Pessoa com Deficiência e da Assessoria de Gestão Inteligente e Inovação, vinculado à Secretaria da Justiça, Família e Trabalho. Cada unidade foi adquirida por aproximadamente US$ 5 mil.

As cinco primeiras servirão para avaliar as possibilidades de ampliação da parceria. Quatro unidades estão sendo cedidas à BBP, que utilizará dois em suas instalações e repassará dois a bibliotecas do Interior do Estado, a serem selecionadas. A outra será destinada para uso em eventos da Secretaria da Justiça, como o Paraná Cidadão e a Feira da Cidadania.

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AEN