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Cada uma é todas, de Adna Rahmeier

Pintura de Giane Lessa

 

Desde que acordei
Já fui Helena
Arrumando as camas despostas
Fui também Cláudia
Passando o café pra ficar disposta
E Márcia
Lavando a louça da madrugada
Fui também Veronica
Organizando o lanche das crianças
E Eleonora
Despertando as crianças pra ir pra escola

Nesse meio tempo
Consegui por 5 segundos ser eu mesma
Usando o banheiro acompanhada pela filhota

Voltei encarnando Manoela
Colocando as crianças no carro
E dirigindo até a escola

Me vesti de Bárbara
Uniformizada pra horas de secretária

Tento encarnar uma Duda
Que percorre a madrugada e só estuda

Os afazeres do dia não me tiram a dúvida
De que é preciso persistir
Pra escalar a vida

Quase não consigo, quase não persisto
São tantos os objetivos
Só pra dar o melhor pros meus filhos

E pressinto: o tempo do homem é diferente
Enquanto eles correm e sobem na vida
À gente tá com a mão cheia de detergente

À noite, visto uma Alba
Busco meus filhos
Coloco um desenho
E limpo a casa

Às vezes encarno uma Ana
E consigo fazer uma janta
Outras, só esquento a marmita congelada

Ao dormir eu pego na mão de minha avó
E peço aos céus: protejam as minhas irmãs
Que querem ser livres
E se arriscam nas horas vagas

Agora, eu sou Adna
O dia nem começou
E eu já fui tantas
Que nem sei qual foi o começo
Dessa poesia rimada

Se me jogaram contra o tempo
Eu permaneço sendo muitas
A liberdade é o meu preço
E é por ela que, todos os dias, eu venço.

Adna Rahmeier é poeta, psicóloga e artesã em Foz do Iguaçu, Pr
Giane Lessa é poeta, pintora e professora universitária em Foz do Iguaçu, Pr.

 

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