"Carrulim" a gosto

  –  Tradição paraguaia aconselha um trago para se enfrentar o mês  –

Carrulim: Ha pépe ndaipóri la mala onda opytáva. Tradução livre: Nâo há maré ruim que resista. (Foto: N.Alvaréz)
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O carrulim é uma beberagem da qual se toma um trago – ou três e até sete, em versões mais generosas da lenda – no primeiro dia de agosto. Assim, se renova o sangue e se afasta todos os males e azares que o oitavo mês do ano possa trazer consigo. De troco, ainda se pode curar um resfriado e amainar uma gripe sanzonais. O nome da bebida vem das primeira sílabas dos seus ingredientes. Em espanhol, CA (caña) RU (ruda) LIM (limón),
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Na fórmula mais tradicional do santo remédio, em primeiro lugar, claro, a fé em si mesmo e uma outra boa dose da mesma fé nos ‘yuyos”. Depois, aguardente branca, galho de arruda e limão. Diga-se de passagem, em pleno inverno, independente do seu uso mais emblemático, pelo menos contra resfriados e gripes, um “carrulim” vai muito bem.
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Claro, há variações a partir do esqueleto da receita original. Dessas, destacamos as que somam guavira pire (casca de pé de guabiroba) e katuáva (sim, aquela velha conhecida planta, usada como energizante em praticamente todo o território por onde andaram guaranis). Segundo os estudiosos, esses dois ingredientes ditos secundários podem dar um sabor mais encorpado enquanto diminuem o cheiro forte da cachaça.
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A tradição – O Carrulim pode ser tomado individualmente, com um trago ao se deitar, outro ao se levantar e um derradeiro durante o dia. Mas melhor fica quando bebido em grupo. Um copo ou uma caneca roda bem entre amigos e vizinhos, cada um sorvendo um pequeno trago, preparando o físico, aumentando a sorte e aquecendo a solidariedade perante as mazelas do meio do inverno.  Esta tradição, aliás, está ficando apenas com os mais velhos, perdendo sua força entre as pessoas mais jovens no Paraguai. Aos poucos, o ritual tem sido encarado apenas como uma “superstição sem muita propriedade”.
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Para quem, ao contrário disso,  reconhece no costume popular boa dose de saúde e sapiência, fica mais uma dica importante. Durante o mês de agosto, para reforçar o Carrulim, é bom seguir com a erva-mate e outras plantas medicinais. No chimarrão ou tereré, quente ou frio, não tem como se deixar  faltar tarope, vervéna’i, ajenjo, ka’apiky, pyno’i, arruda e jaguarete caá. Fazendo-se assim, não há maré feia que resista.

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Guatá/Fonte: ABC
 

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