"Carta em defesa dos Guarani e Kaiowá"

  –  Despejo é genocídio:
em defesa dos Guarani e Kaiowá do Apyka’i  –  

quando o branco fala
Assista ao vídeo “Quando o Branco fala Despejo”, registrando as injustiças com os Guarani e Kaiowá. Clique em cima da imagem.

Carta Aberta, datada de 13 de junho de 2016,
assinada por dezenas de entidades representativas de etnias originárias e da sociedade civil brasileira:

“No Mato Grosso do Sul, no meio de uma plantação de cana, vive um grupo de famílias Guarani e Kaiowá. Para eles, aquela terra se chama Apyka’i, e é onde estão enterrados os seus antepassados. E eles estão ameaçados de despejo.
É ao lado dessas pessoas que nos posicionamos nesta carta, contra a recente decisão de reintegração de posse da área em favor de uma vasta plantação de cana, arrendada pela Usina São Fernando. A usina, localizada no município de Dourados (MS) – pertence a José Carlos Bumlai, empresário e pecuarista preso pela Operação Lava Jato -, incide sobre o território indígena.
Apyka’i é um exemplo grave do genocídio praticado contra os indígenas no estado. Lá, eles bebem água em um córrego envenenado pelas plantações de cana – uma senhora morreu de envenenamento ali. Outras oito pessoas foram atropeladas às margens da rodovia, por onde os indígenas acessam a cidade. Outras três se suicidaram, no contexto da falta absoluta de terra. A morte é muito presente no Apyka’i – logo que se entra no acampamento, é possível avistar dois cemitérios.
Desfavorecidos pela paralisação das demarcações das terras indígenas, sofrendo regularmente tentativas de reintegração de posse, ameaças de morte, ataques, incêndios criminosos, suicídios, ausência total de acesso a saúde e educação, ataques químicos com agrotóxico por aviões, atropelamentos e racismo. Por anos, viveram em uma faixa minúscula de terra na beira da estrada, em barracos, antes de reocuparem sua terra ancestral.
A comunidade afirma que não irá sair – mesmo que o efetivo da polícia militar seja utilizado para removê-los a força, conforme solicitação do juiz Fábio Kaiut Nunes, da 1a. Vara Federal de Dourados. Afora os moradores dali, há milhares de guerreiros e guerreiras, entre os mais de 50 mil Guarani e Kaiowá que habitam o estado, prontos para resistir ao lado deles.
E quem seríamos nós, se não nos rendêssemos a esse grito desesperado de resistência? Num dos momentos mais antidemocráticos que já vivemos em nossa história, e num contexto de forte criminalização contra nós movimentos sociais e apoiadores da causa indígena, afirmamos que faremos o que for possível para ajudar a defender o pequeno acampamento do Apyka’i, tomando nosso lado nesta luta: de mãos dadas com os Guarani e Kaiowá, contra os gigantes com dinheiro.
Deixe o Apyka’i viver!”
13 de junho de 2016
ASSINAM ESTA CARTA:
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) / Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) / Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste (Arpinsudeste) / Articulação dos Povos Undígenas do Sul (Arpinsul) / Associação Floresta Protegida (Mebengokre/Kayapó) /Aty Guasu Guarani e Kaiowá / Comissão Guarani Yvyrupa (CGY) / Conselho de Articulação do Povo Guarani (RS) / Conselho Terena / Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) / Amigos da Terra / Associação Brasileira de Antropologia (ABA) / Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária/PR (Amar) / Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte/PR (Apromac) / Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí) / Associação de Proteção ao Meio Ambiente (Apromac) / Art. Rosalino de Povos e Com. Tradicionais do Norte de Minas e Alto Jequitinhonha / Bicuda Ecológica (RJ) / Canudos/SP / Cáritas Brasileira / Centro Acadêmico Celso Amorim (Rel. Int./UFGD) / Centro Acadêmico de Ciências Sociais (UFMS) / Centro Acadêmico Florestan Fernandes (Ciências Sociais/UFGD) / Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA) / Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos (CDDH-MS) / Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes) / Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) / Centro de Estudos e Pesquisas para o Desnvolvimento do Extremo Sul/Ba (Cepedes) / Centro de Trabalho Indigenista (CTI) / Coletivo A Causa / Coletivo de Entidades Ambientalistas do Estado de São Paulo / Coletivo de Mulheres da UFGD / Coletivo de Profissionais em Antropologia (aPROA) / Coletivo Terra Vermelha (CTV) / Comissão da Verdade e Memória do Grande Sertão / Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos / Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) / Comissão Pastoral da Terra (CPT) / Comitê de Defesa Popular de Dourados / Comitê de Solidariedade aos Povos Undígenas De Araraquara/SP / Comitê de Solidariedade aos Povos Undígenas De Dourados/MS / Comunidades Eclesias de Base do Mato Grosso do Sul (CEBs/MS) / Conselho Indigenista Missionário (Cimi) / Conselho Pastoral de Pescadores (CPP) / Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) / Contra o Trafico de Mulheres (UFGD)  / Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) / Eterno Arte Crew / Fábrica Arístico-cultural Latinoamericana de Corumbá e Ladário (Fala) / Fase – Federação Anarquista Gaúcha (FAG) / Fian Brasil / Frente Nacional de Defesa dos Territórios Quilombolas / Fórum da Amazônia Oriental (Faor) / Fórum de Igrejas e Organismos Ecumênicos do Brasil (FE ACT/Br) / Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social / Greenpeace Brasil / Grupo Argos de Teatro (Corumbá/MS) / Grupo de Estudos Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (UFMA) / Grupo de Estudos Subalternidade e colonialidade na America Latina (UFGD) / Índio é Nós / Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM) / Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) / Instituto da Mulher Negra do Pantanal (Imnegra) / Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) / Instituto Madeira Vivo / Instituto Socioambiental (ISA) / Instituto Terramar / Instituto Transformance: Cultura & Educação / International Rivers – Brasil / Justiça Global / Marcha Mundial das Mulheres / Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) / Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) / Movimento Tapajós Vivo / Plataforma de Articulação e Diálogo (PAD) / Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil / Rede Brasileira de Arteducadores (Abra) / Rede Nacional de Advogados Populares (Renap) / Toxisphera Associação de Saúde Ambiental / Uma Gota No Oceano / União de Mulheres de São Paulo / Universidade Communitária dos Rios (UNIcomRIOS/Marabá) /


Reproduzido da página do CIMI – Cons. Indigenista Missionário