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Cinco câmeras e uma história

– Um COMENTÁRIO de Patrícia de Castro –

cinco cameras quebradas

Por trás da crise entre Israel e Palestina há famílias que tentam levar a sua vida na normalidade. É isso que fazia Edmad Burnat, em 2005, quando comprou a sua primeira câmera – essa que registraria o conflito que perdura desde o início do século 20 – para registrar os primeiros passos de seu filho Gibreel Emaad, criança que já nasceu vendo e ouvindo bombardeios e explosões.
Com sua câmera simples, Burnat passa a narrar a movimentação para a construção de um muro em Bil’in, pequena cidade a Oeste de Ramala, na Cisjordânia. Muro construído pelo governo israelense com o objetivo de proteger o povoado, segundo um argumento oficial.

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As filmagens que começaram de forma caseira se transformaram em um longa-metragem narrado em primeira pessoa chamado “5 Câmaras Quebradas”. Durante as cenas, o Brasil aparece ali retratado, por meio de bandeiras brasileiras. A esposa de Burnat, Soraya, é brasileira com descendência palestina – aí o motivo das bandeiras pela casa.
Mesmo passando pelas situações mais complicadas, Burnat não larga a câmera, que em cada momento é danificada seja por queda ou até mesmo balas. Em nenhum momento ele deixa de registrar, fazendo assim, a câmera parte de seu corpo. A cada ano que passava, ficava mais ligado ao mundo cinematográfico – sem mesmo querer, já estava dentro desse universo . A cada câmera quebrada o seu desejo de continuar guardando esses momentos eram maiores que a guerra em frente a sua lente.
Com vídeos, Burnat protegia seus familiares, amigos e vizinhos. Os soldados tinham medo de posteriormente enfrentar o Tribunal de Penal Internacional pela violência, e também, ter as imagens expostas pela internet. Então com a sua câmera ligada, muitas agressões foram evitadas. Mesmo assim, ele filmou, por exemplo, quando seu amigo – mesmo imobilizado – leva um disparo na perna, um puro ato de covardia.
Em alguns momentos, a câmera de Burnat também segurou alguns disparos – que poderiam ter custado a sua vida – . Mesmo filmando e desviando de balas, ele ainda filmava o seu filho no meio do conflito. Registrando assim, para sempre esse fato na história do pequeno que com apenas três anos observava amigos e vizinhos de sua família apanhando e, até mesmo, sendo mortos. Umas das partes mais impressionantes do filme é quando Gibreel questiona seu pai sobre a morte de Phil – um amigo de seu pai.
“- Por que mataram o Phil? Por que o mataram? Que ele fez?”.
Outra cena de destaque no longa é quando relatam a primeira palavra de Gibreel. Normalmente as crianças falam pai ou mãe, porém com Gibreel foi diferente. Sua primeira palavra foi “soldado”.
Um filme impactante feito de uma forma diferente das produções hollywoodianas. Neste longa os personagens eram reais, não era uma ficção com roteiro planejado. Desta forma, Burnat e suas cinco câmeras foram instrumentos sociais que marcaram a história mundial.
Em setembro (2015), Burnat esteve em Foz do Iguaçu para visitar a comunidade Palestina e proferiu palestras para os alunos de jornalismo do Centro Universitário Dinâmica Cataratas (UDC).


 
Patrícia de Castro é estudante de Jornalismo em Foz do Iguaçu, Pr.