Cinetexto

  • A vida passando como se fosse um filme. (Texto e fotos de Kariny Wermouth) – 

cinetexto-outubro1menorPara o mês de outubro, o Ponto de Cultura Tirando de Letra guardou uma atividade especial no módulo CineTexto, que foi discutir as chances e a temática do “Que horas ela volta”, filme protagonizado pela atriz Regina Casé e que representará o Brasil no prêmio “Oscar”, em 2016. A primeira reunião, foi no  Colégio Estadual Paulo Freire, contando com a participação de 17 alunos da turma “A”, da terceira série do ensino médio.
A obra cinematográfica dirigida por Anna Muylaert, aborda a história de uma empregada doméstica e o seu cotidiano. O filme foi escolhido para a atividade como forma de dar continuidade às diversas inquietações que nós, como ponto de cultura, estamos propondo aos jovens da Vila C. É impossível pensar nas nossas expressões e linguagens sem fazer um trabalho profundo de nos voltarmos para a vivência de cada um.
Sugerimos com as iniciativas do projeto de que isso não pode ser realizado de forma individualista e descontextualizada, senão como um olhar atento ao nosso tempo e espaço no mundo que caracterizam boa parte do que somos. E é com esse propósito que o CineTexto, também desta vez, acabou emergindo como um pequeno intervalo feito para pensar a realidade e, por consequência, todos os presentes e suas particularidades. O conteúdo extremamente atual da obra nos brindou diversos elementos riquíssimos para pensarmos algumas coisas. Como o filme é bastante longo, nosso  tempo para conversa não foi tão grande, porém significativo.
cinetexto-outubro2menorTalvez o aspecto mais rico dessa experiência ao debatermos “Que horas ela volta?” foi nos ajudar a pensar como os fatos que estão tão próximos no nosso cotidiano são naturalizados pelas relações sociais. Tocamos em temas como que foram da desvalorização de trabalhadores que ocupam determinadas funções até a relação de alunos de escolas públicas com o vestibular. Passamos pela nova legislação que o Brasil adotou para o trabalho doméstico e avançamos a conversa até os limites e preconceitos sociais que são impostos como intransponíveis.
O formato de roda de conversa nos possibilita o compartilhamento de dúvidas, ideias, transformações. O entendimento do cinema como uma linguagem aberta também nos faz entender a vida em comunidade como algo diversificado e com muitas matizes, uma experiência democrática importante para os adolescentes presentes no trabalho. Afinal, o CineTexto propõe o questionamento e a ampliação do repertório dos jovens, livremente, como a possibilidade de se reescrever o que parece estar cristalizado e imutável.
(Kariny Wermouth é mediadora de leitura do Ponto de Cultura Tirando de Letra em Foz do Iguaçu, Pr.)