Comunidade avá-guarani perde pajé centenário. Oeste do Paraná perde elo de ligação com a sua história

Gregório era uma memória viva do Ocoy. Mantinha a tradição cultural do povo e a pajelança, sendo muito admirado.

H2FOZ – Denise Paro

A comunidade avá-guarani Tekoha Ocoy, de São Miguel do Iguaçu, a 45 quilômetros de Foz do Iguaçu, está de luto pela morte do patriarca e pajé Gregório Venega, 105 anos, vítima da covid-19. O corpo de Gregório foi sepultado ontem, na própria aldeia, sem seguir os rituais comuns da cultura avá-guarani, por questões de segurança sanitária.

O pajé faleceu na manhã de ontem. Com doenças preexistentes, ele estava internado no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu, onde deu entrada em estado grave, e era um dos 77 casos confirmados da covid na comunidade. Os demais infectados estão recuperados ou em fase de convalescença.

Gregório era uma memória viva do Ocoy. Ele fazia parte do primeiro grupo de guaranis que saiu da Comunidade Jacutinga, região de Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, para morar no Ocoy em 1982, após a formação do Lago de Itaipu. Mantinha a tradição cultural do povo e a pajelança, sendo muito admirado.

Sobrinho de Gregório, Simão Vilialva convivia com o tio e o acompanhava na Casa de Rezas da comunidade. “Todo mundo ficou emocionado; e a família, abalada. Ele sempre vinha na minha casa para conversar e tomar chimarrão”, conta.

Casos

O surto de covid-19 no Ocoy começou no final de junho, depois de um morador da comunidade que trabalha na Cooperativa Lar, de Matelândia, ter sido contaminado. Os casos foram aumentando, e médicos e agentes de saúde estiveram na reserva para fazer testes e dar auxílio à comunidade, que ficou isolada, limitando também a entrada de pessoas.

Da Página H2Foz / Texto: Denise Paro / Foto: acervo Avá-Guarani

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