Conexões Transfronteiriças

  – Editora da UNILA lança obra que analisa visão da imprensa sobre as fronteiras  –  

fronteira-ambivalenciaAcadêmicos de Jornalismo, de Relações Internacionais e áreas afins, pesquisadores da comunicação e demais interessados em estudar a mídia terão em breve a possibilidade de saber mais sobre o tema. A editora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (EDUNILA), lança a obra “Conexões (trans)fronteiriças: mídia, noticiabilidade e ambivalência”, a qual reúne artigos que analisam a visão de vários órgãos de imprensa sobre fatos recentes, envolvendo o Brasil e países vizinhos, como o Paraguai e a Bolívia.
Organizado pelas professoras Ada Machado da Silveira e Isabel Padilha Guimarães, o livro digital e de acesso gratuito será lançado oficialmente em uma mesa-redonda em que, além de Ada, participam o também professor Aníbal Orué Pozzo (Universidad Nacional del Este, de Ciudad del Este) e Denise Paro, jornalista da Front Press, agência de notícias da fronteira. Parte da programação do 1º Encontro de Estudos Latino-Americanos do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos, a mesa-redonda acontece, no dia 2 de dezembro, a partir das 16h, na sala C 205 da UNILA, campus Jardim Universitário.
 
Com oito artigos de vários autores, a obra, segundo Ada, ilustra de maneira simples e clara como podem ser abordados os discursos da mídia por meio de proposições verbais e baseadas nas imagens. “De maneira original e distinta do sistema referencial corrente nos estudos de Jornalismo, analisamos as atividades noticiosas de diversos veículos de mídia, como jornais impressos e on-line, revistas semanais, telejornais, portais e agências de notícias”, escreve a organizadora na apresentação da obra.
Entre os órgãos de imprensa que tiveram sua cobertura analisada estão as revistas Veja, IstoÉ, CartaCapital e Época; jornais de circulação nacional, como Folha de S.Paulo, Valor Econômico e O Globo; estrangeiros, como o paraguaio La Nación; e de circulação local, caso de A Gazeta do Iguaçu, de Foz do Iguaçu. Programas televisivos, como o jornalístico Jornal Hoje, da Rede Globo, e o Conexões Urbanas, do canal por assinatura Multishow, também tiveram sua atividade noticiosa esmiuçada pelos autores.
Entre as notícias analisadas, estão as que mostram a questão do combate ao contrabando na Tríplice Fronteira, o impasse envolvendo a construção de uma estrada em uma área indígena boliviana e o relacionamento do governo brasileiro com os demais países da América do Sul no que diz respeito à questão energética, como no caso da Usina Hidrelétrica de Itaipu e do gasoduto Brasil–Bolívia.
Os artigos abrangem ainda a cobertura do La Nación sobre um dos fatos mais marcantes da recente história do Paraguai — o Massacre de Curuguaty. Escrito em espanhol, o texto analisa como o periódico, um dos mais importantes do país vizinho, retratou o acontecimento, de 2012, o qual deixou 17 mortos — 6 policiais e 11 campesinos.

Grupo de pesquisa

Com exceção do texto em espanhol, todos os artigos que compõem o livro são fruto de um trabalho desenvolvido por professoras pesquisadoras com formação em Jornalismo, ligadas ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), junto a seus alunos de graduação. “Animados por oportunidades variadas de apresentar nossas preocupações, na condição de membros do grupo de pesquisa Comunicação, Identidades e Fronteiras, da Universidade Federal de Santa Maria, produzimos análises detidas no estudo da noticiabilidade na cobertura jornalística das fronteiras internacionais do Brasil e sua interação com conteúdos midiáticos na mídia brasileira e internacional”, explica Ada no texto introdutório à obra. Professora titular da UFSM, a pesquisadora lidera o grupo, criado em 2001. Em 2011, a coautora, Isabel Padilha Guimarães, vinculou-se a ele em estágio pós-doutoral.
Além do enquadramento definido pelo objeto de estudo do grupo — que são a noticiabilidade, ou seja, “o modo como os acontecimentos se fazem noticiar”, e a cobertura jornalística — emergem das análises feitas pelos autores outros aspectos à cobertura midiática sobre as relações (trans)fronteiriças, entre elas, o contrabando, o tráfico de armas e de drogas, populações camponesas e indígenas, além de controle, dominação e hegemonia nas fronteiras do Mercosul. “São todos temas candentes que desfrutam da fortuna midiática, expondo a debilidade de todos aqueles que habitam as fronteiras ou por elas transitam”, comenta a organizadora.

Gratuidade

Segunda obra lançada pela EDUNILA, o livro “Conexões (trans)fronteiriças: mídia, noticiabilidade e ambivalência” foi apresentado à editora com base em um dos três editais de recebimento de originais para publicação atualmente abertos. Este, em específico, visa a publicação em mídia eletrônica, em regime de acesso aberto, de obras individuais e/ou coletâneas de conhecimento técnico, científico, cultural e didático, produzidas por autores em todos os campos do conhecimento, com destaque para os temas relacionados à América Latina e Caribe, para fins de difusão prioritariamente gratuita.
“Penso que é um grande acerto para a EDUNILA inaugurar as suas publicações em formato eletrônico e de livre acesso com este interessante livro sobre mídia na região fronteiriça. Os meios digitais e a internet atualmente são responsáveis pela maior parte das informações difundidas, seja no âmbito da comunicação jornalística, seja no âmbito das reflexões acadêmicas ou das descobertas científico-tecnológicas. Além disso, ao facilitar a divulgação dos produtos das investigações acadêmicas, publicando obras de livre acesso, a EDUNILA já nasce abraçando uma tendência bastante recente e, do meu ponto de vista, bastante oportuna, da edição universitária”, ressalta Analía Chernavsky, coordenadora da EDUNILA.


 
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