Confraternização dos Resistentes

  –  Integrantes do CDHMP participam de Encontro no Rio Grande do Sul que reúne militantes da resistência à ditadura  –

“Quixote e os Moinhos”

Militantes dos direitos humanos em Foz do Iguaçu participam da “Confraternização dos Resistentes”, neste fim de semana (7 e 8), na cidade de Três Passos (RS). Estarão no ato público os membros do CDHMP (Centro de Direitos Humanos e Memória Popular), Aluízio Palmar, Edio Schroeder e Domingas Paris, além do iguaçuense Adão Almeida, que também atuou na resistência ao regime fardado.
Atividade de memória, solidariedade, homenagem e também de luta, a “Confraternização dos Resistentes” reúne a velha guarda formada de rebeldes que ousaram enfrentar o arbítrio no Brasil e na América Latina, em defesa da liberdade e da democracia. A programação de dois dias terá momento de acolhimento aos convidados, rodas de conversa, sarau e lançamento de livros.
Conforme Aluízio Palmar, um dos articuladores da atividade, a confraternização vai reunir a experiência dos quadros políticos em atividade desde os anos 1960 e a nova geração de lutadores sindicais e populares. “Estaremos com velhos e velhas camaradas de luta que ainda acreditam que um outro mundo é possível e com a nova geração de militantes do MST, da CUT e de partidos de esquerda”, informa
 
Resistentes de Três Passos, primeiro levante armado pós-64 – foto Reprodução

HOMENAGENS – Aberta ao público, a “Confraternização dos Resistentes” prestará homenagem ao “Gringo”, quadro da esquerda brasileira que completa 81 anos de idade e 50 de militância. O ato político também homenageará o revolucionário latino-americano Che Guevara, assassinado pela CIA depois de ter sido capturado com vida nas selvas da Bolívia, há 50 anos, no dia 8 de outubro.
Três Passos foi escolhida para sediar o encontro por ser o local de residência do militante “Gringo” e também pelo simbolismo e importância para a história da resistência à ditadura militar. Na cidade gaúcha aconteceu o primeiro levante armado contra o regime de violência e terror que arrebatou o poder pelas armas, em 1964. “Três  Passos é o berço do primeiro levante armado contra a ditadura e alguns sobreviventes serão homenageado durante o encontro”, frisa Palmar.
 
 
 
[box] O QUE FOI A RESISTÊNCIA EM TRÊS PASSOS (*) – Durante a ditadura civil–militar que assombrou o país por 21 anos, nesta cidade do Rio Grande do Sul jovens e corajosos idealistas preparavam um campo de resistência à ditadura e para restabelecer a democracia no País. Neste período da história, o município também foi palco de tristes episódios que assombraram e ainda hoje estão vivos na memória da população.
Jornal destaca tomada da cidade por revolucionários – foto Reprodução

Ironicamente, o local onde atualmente as pessoas buscam aliviar suas dores – o Hospital de Caridade do município -, em maio de 1970 abrigava um quartel da Brigada Militar, utilizado como centro de repressão e tortura contra dezenas de presos políticos, a maioria ligados à Vanguarda Popular Revolucionária – VPR, liderada pelo Gringo, que será homenageado neste 8 de outubro.
Sob a coordenação do coronel do Exército Paulo Magalhães (na época à frente do DOI/CODI), o mesmo monstro que organizou a “Casa da Morte” em Petrópolis, no RJ, agentes do DOI/CODI e do DOPS se deslocaram para Três Passos para aplicar suas técnicas de tortura, interrogatórios e guerra psicológica. Tanto os ex–presos políticos e seus familiares, como os moradores da região, recordam a brutal sessão coletiva de tortura que ficou conhecida como “A noite de São Bartolomeu”, em alusão ao massacre de protestantes, ocorrido na França, em 1572.
Tanto ódio e sadismo justificava a descoberta de um dos grandes focos de organização da luta libertadora no Brasil: o comandante Carlos Lamarca se deslocaria para a região, acompanhado de um significativo grupo de civis e militares patriotas, para organizar o que para eles seria o principal centro irradiador da resistência contra a Ditadura. Para o grupo, a região do Alto Uruguai, que compreende Brasil, Argentina e Uruguai, se configurava como área estratégica para a guerrilha.

* Texto extraído do “Manifesto do Comitê Popular Memória Verdade e Justiça”, lançado em 28 de agosto de 2012, em Três Passos (RS) [/box]

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Guatá/ Reproduzido do site CDHMP

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