Conservação da onça-pintada e da harpia: projetos em Foz são referências de proteção

Programas foram apresentados em webconferência de abertura da Semana do Meio Ambiente do Grupo Cataratas.

Wemerson Augusto, Marcos José de Oliveira e Yara Melo de Barros na live do Grupo Cataratas (Foto: Reprodução )

 

O Projeto Onças do Iguaçu e o Programa de Reprodução de Harpia da Itaipu Binacional foram destaques da webconferência de abertura da Semana do Meio Ambiente do Grupo Cataratas. As ações em Foz do Iguaçu são referências nacionais e internacionais em conservação.

Mediado pelo jornalista Wemerson Augusto, o diálogo reuniu os biólogos Yara Melo de Barros, coordenadora-executiva do Projeto Onças do Iguaçu, e Marcos José de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu. Os técnicos apresentaram resultados dos programas de conservação e falaram sobre o meio ambiente no “novo normal” pós-pandemia.

O tema “Onça-pintada e harpia – conheça essas grandes espécies da Mata Atlântica” foi o primeiro de uma série de assuntos que serão abordados na semana alusiva ao Dia Mundial do Meio Ambiente. A data é celebrada em 5 de junho, conforme calendário da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Todos os anos, o Grupo Cataratas realiza uma série de atividades para celebrar a data junto com a comunidade. Este ano, devido à pandemia, adotamos essa formato on-line para discutir grandes temas ligados ao meio ambiente”, explica Wemerson Augusto. “A programação diária seguirá até 8 de junho, no Dia Mundial dos Oceanos”, conclui.

Assista à live sobre onça-pintada e harpia:

Pesquisa, engajamento e coexistência

Baseado no tripé pesquisa-engajamento-coexistência, conforme Yara, o Onças do Iguaçu contribui para aumentar a população do maior felino das Américas no Parque Nacional do Iguaçu, em ações conjuntas com o Iguazú, parcela argentina do parque. Na Mata Atlântica, são de 205 a 300 onças-pintadas, e a espécie é considerada criticamente ameaçada nesse bioma.

No lado brasileiro da unidade nacional de conservação, 28 espécimes foram registrados no último censo de 2018; em 2015 eram 22, e apenas 11 no levantamento de 2009. No chamado corredor verde, entre o Brasil e a Argentina, o número de onças-pintadas subiu de 90 para 105, entre 2016 e 2018; eram somente 40 indivíduos no censo de 2005.

Filhote de onça-pintada atravessa a pista no Parque Nacional do Iguaçu – foto Projeto Onças do Iguaçu

“O projeto é de conservação da onça como espécie-chave para manutenção da biodiversidade no parque”, expõe Yara Melo de Barros. “Por ela ser de topo de cadeia, uma floresta que mantém população de onça-pintada indica que essa área é saudável”, aponta a coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu.

Com a pesquisa que monitora e acompanha os animais na natureza, são realizadas ações de conscientização voltadas à população dos 14 municípios lindeiros ao PNI, estimada em 500 mil pessoas. “Nosso sonho é transformar o medo das pessoas em encantamento. Também apostamos na coexistência para que seja possível grandes felinos e seres humanos viverem no mesmo lugar, de forma harmoniosa”, conclui Yara.

Cinquenta filhotes

Há 20 anos, a Itaipu Binacional iniciou seu Programa de Reprodução da Harpia, espécie de águia florestal, a maior das Américas. A ação inovadora comemora o nascimento do 50º filhote. Na Mata Atlântica, a harpia está reduzida a populações residuais, explica o biólogo Marcos José de Oliveira.

“A Itaipu tem dado uma grande contribuição para a conservação da harpia nesses últimos 20 anos”, frisa. “Nossa função é a da pesquisa reprodutiva. Conseguimos aprimorar e desvendar os mistérios da reprodução da harpia”, salienta. Com esse trabalho, foi possível aumentar de três para quatro o número de filhotes por ano.

 

Projeto de reprodução de harpia da Itaipu Binacional foi criado há vinte anos – foto Rubens Fraulini / Itaipu Binacional

De acordo com Marcos, o filhote número 50 de harpia, reproduzido pelo programa da Itaipu Binacional, está com 35 dias de idade e pesa um quilo. Ele recebe alimentação por meio de pinça e com proteção para não criar vínculo com seres humanos. “Logo ele vai para a ‘creche’ se socializar e aprender a voar. Depois disso, ganhará um espaço maior”, informa.

O técnico da binacional anuncia um alento para o trabalho conservacionista. “Tivemos uma esperança, recentemente, com registros de harpia na região de Coronel Domingo Soares, que não fica muito longe do Parque Nacional do Iguaçu. Duas fotos de harpia foram publicadas em 11 de abril na enciclopédia digital Wiki Aves”, comemora.

De acordo com Marcos, a harpia é a águia com maior capacidade de carga e tem uma envergadura de dois metros. Assistida em cativeiro, ela vive até 50 anos – não há estimativa sobre sua longevidade na natureza. Os machos voam a partir dos cinco meses de idade, e o chamado cuidado parental pode durar até 2,5 anos.

Por Paulo Bogler / H2Foz