Contra o racismo e o sexismo

  –  Dia Internacional da Mulher Afro Latina-Americana e Caribenha
e do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra  –

Marcha das Mulheres Negras em São Paulo (Foto: Janine Moraes)
.
“Quando uma mulher negra se move, o mundo inteiro se move junto”. Essa importante afirmação, da filósofa e ativista Angela Davis, se torna cada vez mais acessível e concreta para as mulheres negras brasileiras.
.
Em julho de 1992, mulheres negras de 70 países participaram do 1º Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, em Santo Domingo, na República Dominicana. O último dia do evento, 25 de julho, foi marcado como o “Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe”, para celebrar e refletir sobre o papel das mulheres negras nestes continentes.
.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que, dos 25 países com maior índice de violência contra a mulher negra, 15 estão localizados na América Latina e no Caribe. De acordo com o Mapa da Violência 2016, o feminicídio de mulheres negras aumentou 54% em dez anos no Brasil. Quando se trata de violência doméstica, o número de mulheres negras corresponde a 58,68%.
.
Na perspectiva histórica brasileira, a compreensão da interseccionalidade entre gênero, classe e raça, o fortalecimento do feminismo negro e a ascensão de governos ligados aos movimentos sociais, a partir de 2003, abriu espaço para que as demandas do movimento de mulheres, bem como do movimento negro, fossem inseridas nas pautas da agenda política nacional.
.
Brasil – Com o objetivo de reforçar o dia da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha, e em atenção às pautas dos movimentos de mulheres negras brasileiras, Dilma Rousseff, então na presidência, sancionou a Lei nº 12.987/2014, que define a mesma data como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
.
Tereza de Benguela
 – foi uma líder quilombola que viveu no Brasil durante o século 18 no estado do Mato Grosso. Com a morte de seu companheiro, passou a liderar o Quilombo do Piolho, entre 1750 e 1770. Durante duas décadas, o quilombo sob sua liderança reuniu mais de cem pessoas entre negros e índios. Além de resistirem fortemente à escravidão, desenvolveram uma sólida organização social.
.
Pautar Teresa de Benguela, as mulheres negras, afro-latino-americanas e caribenhas, através da instituição de um dia de luta, é sem sombra de dúvidas, um importante mecanismo para que as mulheres negras brasileiras tenham a oportunidade de fortalecer o seu senso de identidade, reconhecendo-se na história de inúmeras mulheres negras que foram protagonistas na luta por liberdade e direitos, no entanto, foram silenciadas e invisibilizadas pela historiografia oficial.

Leia um poema de Carolina de Jesus

____________________________
Guatá/com BrasildeFato
 

Arquivos

Categorias

Meta