De pé em pé

  –  Um texto de Karina Nazario Moschkowich  –


 

  –  Adaptar é gerar novas experiências e conquistar possibilidades  –

Chegou a hora de voltar às aulas, ou mesmo de iniciar o processo de vida escolar.
Momento de muita apreensão e expectativas de todos os envolvidos.
Quem já foi a escola também passa pela adaptação. Quem serão meus novos amigos? Quem será minha professora? O que vou aprender?  Como será minha sala de aula?
Nós, adultos, quando chegamos a qualquer novo ambiente também passamos pelo processo de adaptação.
 
Quem nunca foi a escola terá pela primeira vez o seu vínculo com a família sendo rompido e pessoas de fora do seu convívio passam a fazer parte de sua rotina.
Por que minha família me trouxe aqui? Minha prima disse que vai nesse lugar que tem nome de escola, mas ela não está aqui. O que é que se faz nesse lugar? Os gestos, olhares, comportamentos que até então eram entendidos e compartilhados por todos passam a serem estranhos e a precisar ganhar novos contornos e formas para que sejam compreendidos.
Agora a atenção dos adultos não é mais somente minha, mas tenho todos esses estranhos do mesmo tamanho que eu, fazendo as mesmas graças e birras que eu faço, precisando da atenção no mesmo instante da minha necessidade. Como assim?  Como farei se eu quiser fazer água? Lá em casa eu aponto para o filtro e sabem que estou com sede.
Ah, mas tudo bem. Aqui tem muitos brinquedos que não tem na minha casa, tem uns adultos que nunca vi, mas que estão tentando me entender,  as outras crianças estão fazendo coisas que talvez eu também possa aprender.
Eu vou chorar, afinal não estou exatamente confortável, mas vai passar porque estou vendo que aqui pode ser legal. Espero que meus pais entendam que vou continuar os amando, mas que também posso amar essas pessoas e esse lugar.
Meu bebê… parece que foi ontem que saiu da minha barriga e agora tem que ir para a escola. Sei que isso é importante, que ele vai se desenvolver,  precisa ter outras relações, preciso ir trabalhar, a legislação me obriga (se já completou 4 anos).
Procurei escolhi com carinho essa escola. Sei que aqui  não é perfeito porque nenhum nunca será ( nem nossa casa é assim)  aqui é onde mais encontrei  fatores que me despertaram o desejo de ter meu filho nesse espaço.
Preciso ser forte e mostrar ao meu bebê que estará seguro aqui. Se eu estiver segura e tranquilo ele também ficará.
Ah, eu vou chorar! Vou sentir saudade! Mas ele vai entender que estamos aqui por amor a ele e ao seu desenvolvimento. Que aqui vai ser muito  amado e que vou embora  e já volto para busca-lo com o coração cheio de amor.
Mais um ano escolar se inicia, mas as lembranças das turmas que acabaram de ir em frente ainda são muito fortes no meu coração. Aprenderam tanto! Já iam ao banheiro com independência, experimentavam os lanches com alegria, desenhavam com segurança.
Quem serão essas famílias? Quais as expectativas?  Como será nosso relacionamento? Como essas crianças vão chegar? Gostam de quê? Como se comportam em diferentes situações da rotina? De que forma aprendem?
Ah eu vou chorar! Vou sentir saudades dos que se foram! Mas sei que vou conhecer um monte de pessoas legais, vamos partilhar novas histórias e, juntos, aprendermos coisas novas.
Vamos chorar, afinal a novidade é gera expectativas e nos impulsiona a criar hipóteses nem sempre comprovadas. Nos tira da zona de conforto.
Estamos juntos na caminhada de um ano letivo que promete novas experiências, novos registros, novos conhecimentos.
Adaptação, ela acontece todos os dias. De modos diferentes, com pessoas diferentes. Uma etapa importante para que as experiências sejam equilibradas e acomodadas, gerando novas possibilidades.
Que venha 2017!

KARINA NAZARIO MASCHKOWICH é pedagoga e professora de educação fundamental em Foz do Iguaçu, Pr

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