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Depois de dois meses, Rio Paraná volta a ser navegável, na Argentina e Paraguai

As barcaças transportando soja já puderam passar pela eclusa da usina binacional Yacyretá, na terça-feira (19).

As primeiras barcaças transpõem a barragem de Yacyretá pela eclusa, rumo aos portos de Buenos Aires e do Uruguai. (Foto: Yaciretá/Paraguai)
H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

 

As primeiras das 150 barcaças paraguaias que vão usar a hidrovia do Rio Paraná para levar soja aos portos de Buenos Aires e do Uruguai começaram a passar nesta terça-feira, 19, pela eclusa da barragem da usina hidrelétrica binacional Yacyretá, que pertence em condomínio à Argentina e ao Paraguai (aos moldes de Itaipu).

A estiagem histórica que afeta as bacias do Rio Paraná, tanto a montante (no Brasil), como a jusante (na Argentina), estava impedindo a navegação normal das barcaças paraguaias havia dois meses, afetando o setor agroexportador do país e pondo em risco a exportação de mais de US$ 1 bilhão, conforme publicou em seu site (na versão paraguaia) a usina Yacyretá.

A situação foi resolvida a partir do momento em que a usina de Itaipu passou a lançar Rio Paraná abaixo a média de 8.500 metros cúbicos de água por segundo, tanto a turbinada (que passa pelas unidades geradoras para produzir energia elétrica) quanto pelo vertedouro, que é a água do reservatório.

Nesta quarta, terceiro dia consecutivo da operação em Itaipu para garantir mais água ao Rio Paraná, a usina liberou uma média de 1.300 metros cúbicos por segundo pelo vertedouro, entre 0h30 e 5h30, segundo a Comunicação Social da empresa.

A operação deve prosseguir por mais nove dias, o que permitirá ao Paraguai transportar aos portos de Buenos Aires e do Uruguai cerca de 200 mil toneladas de soja, que estavam estocadas em depósitos nos portos fluviais e nas próprias barcaças.

Nas belas fotos de Rubens Fraulini, o vertedouro jorrando água Rio Paraná abaixo.

O chefe técnico de Yacyretá, engenheiro Leopoldo Melo, de acordo com a informação publicada no site da usina, lembrou que a operação foi resultado das negociações de uma equipe interinstitucional coordenada pelo vice-ministro de Relações Econômicas e Integração da Chancelaria do Paraguai, Didier Olmedo, e integrada por Yacyretá, Itaipu e vários órgãos do Paraguai, Argentina e Brasil.

Depois deste pedido formal, feito pela Argentina e Paraguai, o Conselho de Administração de Itaipu concordou em flexibilizar o reservatório, com a redução de 2 metros no seu nível, que estava em pouco mais de 219 metros, considerado normal. A operação de Itaipu garante a navegabilidade águas abaixo de Itaipu e permite que Yacyretá também devolva mais água a jusante.

A eclusa só pôde ser acionada depois de dois meses, devido à estiagem. Fotos Yacyretá Paraguay

A eclusa de Yacyretá, que funciona desde 1992, ajuda a superar as quedas rápidas de Apipé, que constituíam um obstáculo para a navegação nesta área do Rio Paraná. Nos últimos anos, a eclusa permitiu, em média, o transporte de 2,5 milhões de toneladas por ano.

A passagem por Yacyretá é gratuita, com uma duração de 45 minutos para cada barcaça atravessar a eclusa.

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta