Desconstruir padrões

  –  Um comentário de Karina Nazario Moschkowich  –


A edição 2014/2015 do projeto The Americas and the World: Public Opinion and Foreign Policy (As Américas e o Mundo: Opinião Pública e Política Externa), coordenado pelo Centro de Investigação e Docência em Economia (Cide) do México, em colaboração com universidades da região e que tem como responsável pela iniciativa no Brasil, o Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), que aplicou 1.881 questionários no país, aponta como resultado que apenas 4% da população se considera latino-americanos.
O índice é alarmante e, aparentemente, declara a impropriedade sobre a verdadeira história de nosso povo. Quem somos nós? Nossas origens?
Ainda vivemos enraizados no eurocentrismo e dependentes de afirmações midiáticas que destroem quaisquer possibilidades de nos percebermos como protagonistas da história construída diariamente.
Mas como conseguir reverter o quadro?
Os estudos mostram que a quantidade de informações que a criança de 0 a 6 anos pode armazenar é infinitamente superior a qualquer outro momento do desenvolvimento humano.
Por que não propiciar a aprendizagem baseando-se em uma formação política que promova consciência do eu e do outro, do espaço e da administração pública, das lutas de classe, da construção da história e da natureza como responsabilidade global?
Se essa proposta surge como projeto desenvolvido em sala de aula, pensar em crianças como agentes de transformação passa a ser realidade. A liberdade de expressão nessa faixa etária promove debates intensos e repletos de significados positivos. Não há dogmas ou modelos já definidos como aceitos, não há pressões, não há amarras, o que torna relevante a discussão de ideias fomentadas partindo do que realmente sentem e do que acreditam como certo ou errado, melhor ou pior.
A formação de professores precisa ser ampliada de maneira que os profissionais estejam preparados para serem pesquisadores e orientadores dessas discussões promovendo debates consistentes e nivelados dentro da expectativa de aprendizagem de cada aluno considerando os fatores: faixa etária, situações sociais e culturais do grupo em que esteja envolvido.
Mas essa é uma proposta formada por grãos de areia que juntos poderão construir um oceano de novos paradigmas políticos e sociais.
Sugestões de leituras:

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Karina Nazario Moschkowich é pedagoga em Foz do Iguaçu, Pr. Texto publicado originalmente na revista Escrita 48.

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