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Desmonte?

  –  Pontos de Cultura viram alvo de ministro  –  

cultura-pontoCom o Ministério da Cultura (MinC) praticamente parado há vários meses, o novo ministro da pasta, Roberto Freire (PPS), disse que pretende fazer mudanças no Cultura Viva, programa que mantém em funcionamento os Pontos de Cultura, entidades selecionadas por edital público de seleção e que recebem recurso mensal de R$ 5 mil para desenvolver iniciativas culturais comunitários.
À plenária do Roda Viva, da TV Cultura, Freire não conseguiu explicar o projeto de cultura que defende para o país, deixando transparecer que para ele a produção cultural é sinônimo de eventos. Sem dar detalhes e lançando dúvida sobre todas as entidades que integram o programa, o ministro falou genericamente que alguns Pontos de Cultura deixam de cumprir sua finalidade.
Em determinado trecho da entrevista ao Roda Viva, Roberto Freire assinalou:  “Vamos continuar com os Pontos de Cultura, mas alerto que mudanças serão feitas. Alguns pontos deixaram de ter a cultura como atividade principal e passaram a ter assembleias e conferências para discussões políticas com fins partidários. Queremos retomar seu papel original”.
Representante fiel da base de apoio do governo comandado por Michel Temer (PMDB), Roberto Freire pretende atacar o que há de mais importante nas atividades ponteiras: o protagonismo e a autonomia das entidades em relação aos governos. Os Pontos de Cultura são espaços de exercício direto da cidadania cultural. Autogestionados, os pontos apostam no fortalecimento da sociedade civil e na atuação em redes horizontais, colaborativas e compartilhadas.
Um dos projetos de maior capilaridade no cenário nacional, os Pontos de Cultura tiveram início com o músico Gilberto Gil à frente do MinC. Era necessário, dizia Gil, “desesconder o Brasil”, conceito que atacava frontalmente as sucessivas gestões do ministério que reproduziam projetos voltados para a elite brasileira e que beneficiavam apenas os artistas e produtores diretamente ligados à indústria cultural.
Os Pontos de Cultura não resolvem a carência de políticas públicas para a cultura no Brasil, mas são espaços importantes de produção, fruição e trocas culturais que expressam a diversidade brasileira: dos povos das periferias, negros, mulheres, indígenas, entre outros sujeitos historicamente relegados à invisibilidade pelas políticas oficiais.


Paulo Bogler/ Guatá
 

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