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Diagnóstico de um tempo de pressa

  –  Um poema de Tales Nunes  –

A pressa desembestou a correr,
correr, correr, correr
em busca do que se encontra na calma.
A pressa se prendeu no corpo,
se emaranhou nas mãos,
se agarrou nas pernas,
fez vendaval na fala.
Então o olhar se desposou da alma.
Até uma lágrima solta ela prendeu.
A pressa apressou que cansou,
mas já havia desaprendido a sonhar.
***
A poesia cura a pressa do olhar
Leia um poema por dia
sentado à beira do Mar.
Caminhe sem rumo, sem hora.
Ore, no silêncio da alma.
Olhe a Lua, o Sol, olhe.
Decante o instante no olhar.
Solte a culpa, deixe-a voar.
Respire fundo e fale manso.
E se demore, se demore imenso
no tempo de amar.
***
Caminhar inteiro, num mundo cindido
Num mundo cindido por escassez de sentidos,
caminhar inteiro é benção que se alcança em cada passo.
Num mundo de inconsciência e de distanciamento,
a liberdade se cultiva no cuidado amoroso
com a mente e em cada ação de oferecimento.
Num mundo de ruídos e de esquecimento,
silenciar é lembrança de nossa herança ancestral.
Num mundo de pressa e de dormência,
a calma é compasso de despertar.

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Tales Nunes, pratica Yoga em Florianópolis, SC. Poemas extraídos do blog “Vida de Yoga‘. Foto: ‘Portal’, acervo Estela Valiati

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