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E se o governo decretasse que o livro é essencial e instalasse estado emergencial de leitura?

Uma crônica de Paulo Bogler no Dia Mundial do Livro

E se o governo decretasse que o livro é essencial e instalasse estado emergencial de leitura?

Nestes tempos pandêmicos, em que a moda é tornar atividades essenciais por lei para forçar o retorno à “normalidade”, já pensou se o livro fosse elevado à condição de bem essencial? E se o governo, instalado em todos os palácios, decretasse estado emergencial de leitura?

É possível imaginar, com certa dose de criatividade, Paulo Guedes, o da Economia, em disparada pela Praça dos Três Poderes rasgando o projeto de taxação de livros. No lugar dessa proposta estapafúrdia, uma norma de um item só, não mais:

Artigo 1º. Oh! Bendito o que semeia
Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
Parágrafo único. Fica o disposto nesta lei resguardado de eventual reclamação por plágio, devido ao relevante interesse público.

O efeito seria imediato. Fascinante, até. O preço do custo e da venda do livro cairia vertiginosamente. Todos os temas seriam permitidos e publicáveis, resvalando, na Terra redonda, toda a forma de censura.

Bibliotecas seriam abertas – no sentido mais amplo e universal da palavra. Bibliotecários cobririam o cartaz que diz “é obrigatório fazer silêncio”. Assim, leitores conversariam sobre suas leituras, de livros e do mundo.

Os prédios seriam tomados de poetas cantando e músicos poetando. Fantoches, atores, contadores de história. Faltaria lugar para tantos sonhadores. Sim, fantoches sonham. Cursos, oficinas, lançamentos, saraus… Haja agenda!

A Constituição Federal de 1945 seria revisitada, assegurando intacta a imunidade fiscal do papel para a impressão de livros. A Carta Magna de 1988, respeitada, manteria longe qualquer ideia para criar impostos sobre o livro, por parte da União, estados ou municípios.

O livro e a leitura, por fim, ocupariam a centralidade das políticas públicas de cultura e educação. Seriam valorizados como direitos fundamentais da população e ferramentas para a plena cidadania, acesso ao conhecimento e desenvolvimento da sociedade.

(*) Observação da Edição:
Enquanto o sonho ainda é só a projeção do que pode vir a ser um dia, participe das lutas pelo direito à leitura. Entre elas, abrace  as palavras e assine o manifesto e “Defenda o Livro, diga não à tributação”. CLIQUE, AQUI.

Paulo Bogler é jornalista, ativista cultural e diretor da Guatá em Foz do Iguaçu, Pr.

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