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Edição online da Mostra de Tiradentes debate cinema e pandemia

Filmes podem ser vistos até 30 de janeiro gratuitamente no site do festival


Em meio à pandemia de covid-19, a tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes terá sua 24ª edição realizada de forma predominantemente virtual, com apenas ações pontuais na cidade histórica mineira. A programação do evento, que começou na sexta  (22) e vai até o dia 30, é totalmente gratuita. Os filmes poderão ser assistidos por meio do site do evento, onde também já é possível conferir as datas de exibição e as sinopses.

Acesse filmes, debates
e programação
geral do Festival, aqui

Nos debates, um dos temas que estará em evidência diz respeito aos impactos da pandemia do novo coronavírus no cinema, a começar pela reflexão sobre a própria produção do evento. A programação online, experimento inédito na história da mostra, poderá servir de base inclusive para se repensar o modelo dos próximos anos.

De acordo com Raquel Hallak, diretora da produtora e coordenadora geral do evento, “O online tem o potencial de ampliar o alcance do evento. Deixa de ter uma restrição geográfica para acessar o conteúdo. É uma oportunidade de levar produções recentes do cinema brasileiro a todos os cantos do país, e também a outros países. É também uma forma de democratização, até porque há filmes que muitas vezes não chegam ao circuito comercial, mesmo em um contexto normal. Então, será uma forma de mais pessoas conhecerem os realizadores”, avalia Hallak. Segundo ela, o que será levado ao público é um recorte da produção cinematográfica brasileira de um período muito peculiar.

Mostra Aurora

A Mostra de Tiradentes foi criada em 1998 com a proposta de colaborar com o chamado “cinema de retomada”, expressão usada na historiografia para se referir ao reaquecimento da produção nacional, ocorrido na segunda metade da década de 1990. Rapidamente se consolidou como responsável por abrir anualmente o calendário audiovisual brasileiro, o que faz com que suas discussões influenciem outros festivais ao longo do ano. O evento conta com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais e do Ministério do Turismo, por meio de sua Secretaria Especial da Cultura.

Mesmo com a edição virtual, as principais características estão mantidas. A Mostra Aurora, ponto alto do evento por abrir espaço para diretores que estão lançando o primeiro ou o segundo longa-metragem, vai exibir este ano sete obras de cineastas de cinco estados: Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. Foi quando completou dez anos que o evento decidiu criar uma categoria específica para exibição de filmes inéditos de novos realizadores. De 2008 para cá, essa mostra competitiva foi atraindo mais interesse e se firmou como uma das mais importantes vitrines do evento.

Confira os sete filmes concorrentes na Mostra Aurora: Açucena (BA), de Isaac Donato; Oráculo (SC), de Melissa Dullius e Gustavo Jahn; Rosa Tirana (BA), de Rogério Sagui; Kevin (MG), de Joana Oliveira; A Mesma Parte de um Homem (PR), de Ana Johann; O Cerco (RJ), de Aurélio Aragão, Gustavo Bragança e Rafael Spíndola; Eu, Empresa (BA/MG), de Leon Sampaio e Marcus Curvelo.

Temática e homenagem

Além da Mostra Aurora, o festival tem muitas outras categorias. Oito delas são somente para os curtas-metragens: 79 títulos foram escolhidos em um universo de 748 inscrições. Em relação aos longas-metragens, serão exibidas 27 obras. Ao todo, são 114 filmes de 19 estados. A programação online de nove dias inclui outras atividades, como as mesas de debate e os shows musicais de Arrigo Barnabé, Chico César, Adriana Araújo, Sérgio Pererê, Fernanda Abreu e Johnny Hooker.

A temática da 24ª edição da Mostra de Tiradentes é “Vertentes da criação”. De acordo com Francis Vogner, serão debatidas questões como desejos que guiam e dão origem aos filmes e os métodos particulares que vêm sendo usados para converter experiências pessoais em obras cinematográficas e para lidar com as mais variadas circunstâncias.

A homenageada deste ano é a cineasta e artista plástica Paula Gaitán, que tem trabalhos com prêmios importantes como o longa-metragem Exilados do Vulcão, eleito o melhor filme do Festival de Brasília de 2013. Ela é também viúva do cineasta Gláuber Rocha, com quem teve dois filhos. “Foi uma escolha sintonizada com a temática”.

É uma multiartista, com uma obra consolidada e reconhecida que inclui videoclipe, curta, longa, filmes com dinheiro, filmes sem dinheiro. Ela lida bem nos variados contextos e não tem medo de arriscar. Seus trabalhos são frutos de uma ousadia expressiva e impressionam por sua variedade criativa”, diz Raquel Hallak. Serão exibidos oito filmes da diretora, três deles inéditos: o curta Ópera dos Cachorros e os médias-metragens Se hace camino al andar e Ostinato.

O coordenador curatorial do evento, Francis Vogner, acredita que o online está vindo para ficar. “Ainda iremos discutir as próximas edições, mas acho que caminharemos pra um modelo híbrido. O presencial é fundamental, porque oferece uma experiência particular de vivenciar o festival. Mas acredito que o formato virtual tende a se estabelecer também. Pelo menos em parte da programação, porque é a oportunidade de alcançar novos públicos. Há pessoas que querem estar em Tiradentes, mas às vezes não têm essa oportunidade. Isso nunca havia sido feito em nenhum dos grandes festivais no Brasil. E agora estamos sendo obrigados pela realidade a pensar sobre esse formato”.

Por Agência Brasil

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