Errejota

  –  Um poema de Nilton de Nadai Filho  –

 

Cansado de tudo e jogado na lona,
decido desistir desse destino.
Na porta de saída do labirinto,
essa cidade cretina joga seu charme.
Como o encantador olhar de sereia,
surge um enxame de bolhas de sabão no semáforo vermelho.
Sim, literalmente bolhas de sabão flutuando levemente.
Leves, aqui, no congestionamento pesado.
Leves daqui o congestionamento!
O garoto vendendo paçoca é a cereja do bolo.
Paçoca e bolhas de sabão,
Só uma cidade cafajeste dessa
para me fazer sorrir de tristeza.
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Nilton de Nadai Filho é médico. Atuava no Rio de Janeiro até março deste ano. Publicado na Escrita 50.

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