Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on print
Print

Escola pública

Fechamento de Ensino Médio noturno preocupa diretores de escolas. Medida prejudica estudantes que trabalham e pode provocar evasão; colégios de Foz e região são orientados a suspender matrículas

Principal obstáculo para estudantes será conciliar estudo e trabalho
(Foto: Imagem ilustrativa/Wikimedia Commons)

Educadores de Foz do Iguaçu e região estão preocupados com a decisão do Governo do Paraná de iniciar, a partir de 2020, o processo de extinção do Ensino Médio ofertado no período noturno. Direções de escolas estão sendo orientadas a suspender as matrículas que já foram realizadas para turmas do primeiro ano dessa etapa da educação.

Educadores destacam que nem todas as escolas possuem estrutura para assimilar a demanda de estudantes da noite nos períodos diurnos. Além disso, há o receio quanto ao aumento da evasão de alunos que trabalham, principalmente das famílias mais pobres. A medida ainda prejudicará adolescentes e jovens que deverão matricular-se em colégios longe de casa.

De acordo com Márcia Fabiani, diretora do Colégio Dom Pedro II, que fica na região do Morumbi, ela foi orientada a suspender as matrículas no primeiro ano do Ensino Médio para 2020, em reunião com a equipe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz do Iguaçu. Cerca de 70 estudantes poderão ser prejudicados com a decisão.

“A escola foi pega de surpresa. A chefia do NRE disse que a Secretaria Estadual de Educação não informou o que deverá ser feito com os 70 alunos do primeiro ano do noturno, todos trabalhadores e que moram perto da escola, que deverão ter as matrículas suspensas”, frisa a diretora. “Entre o trabalho e o estudo, esses jovens terão de optar pelo emprego.”

Sem espaço físico

O fechamento do Ensino Médio também preocupa a comunidade do Colégio Gustavo Dobrandino da Silva, que fica no Sul da cidade, na região do Porto Meira. Conforme o diretor do estabelecimento de ensino, Ademir de Lima, o corte proposto pelo governo para o ano que vem é de uma turma do primeiro ano.

Ele explica que a instituição não possui espaço físico para mais salas de aula, necessárias para receber alunos do noturno. Para o educador, vai ocorrer evasão escolar. “Irá aumentar entre os alunos que trabalham formal e informalmente. Já é difícil de mantê-los frequentando o noturno quando moram próximo ao colégio, imagina se tiverem de deslocar-se para um lugar mais longe”, enfatiza Ademir.

Comunidade é contra

A orientação à equipe do Colégio Estadual do Campo Teotonio Vilella, que fica no distrito de Portão do Ocoí, em Missal, é para a suspensão da matrícula de 28 estudantes que pretendem ingressar no primeiro ano do Ensino Médio em 2020. O diretor Paulo Esbabo explica que a comunidade se reuniu e consagrou em ata a posição contrária à extinção dessa modalidade de educação.

“Temos alunos que trabalham durante o dia, a maior parte ajuda os pais agricultores. Se o Ensino Médio à noite for fechado, a maioria deles para de estudar, pois o único colégio que ofertará o curso fica na cidade”, aponta. “Essa medida contraria os direitos à educação no campo e de acesso a modalidades de ensino que respeitem as características socioculturais e econômicas da comunidade”, expõe Paulo.

Mobilização

Manutenção do Ensino Médio noturno é pauta da greve dos educadores, a partir de 2 de dezembro – foto Marcos Labanca/Arquivo

No Colégio Estadual Pedro Parigot de Souza, em São Miguel do Iguaçu, professores, estudantes, pais e mães de alunos estão conversando para encontrar formas de impedir o fechamento de turmas do Ensino Médio noturno. Para a diretora Rejane Christ Ghellere, essa decisão do governo enfraquece a educação pública.

“Essa escola foi fundada pelo meu pai, e minha história está ligada a ela. Cada árvore, cada tijolo dela tem o suor de meus familiares. Acredito na educação e na escola pública e não vou me conformar com essa medida que prejudica nossos estudantes. É o legado que recebi de meus pais. Vamos defender o Ensino Médio”, enfatiza Rejane.

Ata do colégio em Missal com a posição contrária ao encerramento
do Ensino Médio à noite – (foto Reprodução / H2Foz)

.
Informações distorcidas

A presidente da APP-Sindicato/Foz, Cátia Castro explica que a manutenção do Ensino Médio noturno é uma das pautas da greve da categoria, que começará no próximo dia 2 de dezembro em todo o Paraná. Ela relata que o Governo do Estado não fez qualquer debate sobre o tema com as comunidades escolares e instituições que representam os educadores.

“O governo distorce as informações por meio de seus canais de comunicação, tentando passar a ideia que todos os alunos do noturno terão vagas garantidas no diurno”, enfatiza Cátia. “Isso é uma grande falácia, pois não há estrutura e, principalmente, os alunos da noite são trabalhadores e não podem ser transferidos, de forma autoritária, para aulas de dia.”

.
Posição da Secretaria da Educação

A Secretaria da Educação e do Esporte (SEED) divulgou nota nesta terça-feira, 26, em seu portal institucional, afirmando que o Ensino Médio noturno não será encerrado. “O planejamento escolar prevê, para o ano letivo de 2020, 100 mil vagas para o período. Se houver necessidade de abertura de vagas para atender mais alunos, a Secretaria garante a oferta”, diz o documento.

O órgão traz no comunicado a informação de que “ampliou a oferta de vagas para o período diurno, uma vez que em muitos municípios a única opção do estudante era cursar o noturno.”

“Nas instituições de ensino em que há disponibilidade de espaço físico (salas de aulas ociosas) no período da manhã e/ou tarde, os alunos poderão optar pelo Ensino Médio diurno”, apresenta a nota da SEED.

.
Aqui, a íntegra da nota da SEED:

SEED esclarece: “fim do Ensino Médio noturno” é fake news

Diante das informações incorretas que têm sido veiculadas em meios de comunicação diversos, a respeito das vagas para o Ensino Médio nos períodos diurno e noturno, e diante do prejuízo que a propagação de notícias falsas causa ao dever que tem o Poder Público de dar publicidade às suas ações e ao direito da população à verdade, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte esclarece que:

  • O Ensino Médio noturno não será encerrado. O planejamento escolar prevê, para o ano letivo de 2020, 100 mil vagas para o período. Se houver necessidade de abertura de vagas para atender mais alunos, a Secretaria garante a oferta.
  • Buscando democratizar o acesso ao Ensino Médio, a Secretaria ampliou a oferta de vagas para o período diurno, uma vez que em muitos municípios a única opção do estudante era cursar o noturno.
  • Nas instituições de ensino em que há disponibilidade de espaço físico (salas de aulas ociosas) no período da manhã e/ou tarde, os alunos poderão optar pelo Ensino Médio diurno.

Enquanto instituição pública, a serviço da população e da educação, que acredita na responsabilidade para com a divulgação de informações que impactam diretamente a vida de milhares de estudante se suas famílias, a Secretaria avalia os meios legais para combater as notícias inverídicas a esse respeito.

______________________________
(APP-Sindicato/Foz)

Arquivos

Categorias

Meta