Espanha e Irã

  –  Um poema do espanhol Antonio Machado.
Um cartum do iraniano Alireza Pakdel  –


“Refugiados”, charge de Alireza Pakdel

ANDEI MUITOS CAMINHOS
Andei muitos caminhos,
abri muitas veredas;
Naveguei em cem mares,
e atraquei em cem ribeiras.
Em todas as partes vi
caravanas de tristeza,
soberbos e melancólicos
borrachos de sombra negra,
E pedantes por trás dos pano
que olham, calam, e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas.
Diabólicas pessoas que caminham
e vai apestando a terra…
E em todas partes vi
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e laboram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, chegam a um lugar,
perguntam aonde chegam.
Quando caminham, cavalgam
nos lombos de mula velha,
E não conhecem a pressa
nem ainda nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho;
onde não há vinho, água fresca.
São boas gentes que vivem,
laboram, passam e sonham,
e em um dia como tantos,
descansam debaixo da terra.

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Antonio Machado poeta modernista espanhol (1875-1939). Republicano, morreu na França.
Alireza Pakdel, cartunista iraniano. Ganhador do 43 Festival Internacional de Humor de Piracicaba, em 2016,  com charge sobre os refugiados no mundo.