Exercitar o humanismo é função vital do jornalismo

Uma opinião de José Maschio

A pergunta foi direta. Qual a razão de o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR) apoiar o Feirão da Resistência e da Reforma Agrária? A resposta é óbvia, senão ululante. Somos jornalistas. Trabalhadores que vendemos nossa força de trabalho. Logo, solidários aos demais trabalhadores. Mas mais que isso. O Código de Ética dos jornalistas brasileiros e a função social do jornalismo nos levam à solidariedade. Mas uma solidariedade atuante e militante. Não apenas apoio no papel. Não solidariedade de fachada.

É comum os leigos confundirem jornalistas com as empresas de comunicação. Aliás, até mesmo alguns coleguinhas confundem isso de trabalhar em um veículo e se pensar dele e nele. E alguns outros até misturam sua ética pessoal com a ética do patrão. Essa lamentável confusão se dá pelo mito brasileiro da imparcialidade da imprensa. A imprensa não é parcial. Os donos da Mídia tem lado e se posicionam do lado dos donos do poder. Os jornalistas fazem o contraponto a isso. Ao apontar as contradições da Mídia.

Ser jornalista ético no Brasil é fazer guerra de guerrilha. De cada dez notícias a legitimar o poder, os jornalistas tentam noticiar o que reflete a função social do jornalista. Nem sempre isso é possível, dado ao caráter adesista e comercial dos donos da Mídia. Mas isso não deve afetar o bom jornalista. Ele, o bom jornalista, estará sempre em busca de uma pauta e de uma notícia que ajude a conscientizar e formar os leitores. A busca por mostrar as contradições de uma sociedade patrimonialista e feudal como a brasileira. Logo, nada mais natural e necessário que o sindicato da categoria se posicione pelos excluídos.

Sindijor Norte PR apoia o Feirão e se coloca junto com os sem-teto, os sem-terra e aqueles que lutam contra a coisificação do ser humano. A resistência, urbana e rural, ao Brasil do atraso é uma obrigação, não só ética, mas também moral, dos jornalistas comprometidos com o humanismo. O Sindicato dos Jornalistas só tem razão de existir se estiver atento às necessidades da sociedade. Além das lutas específicas da categoria como dignidade profissional e campanhas salariais. Isso não impede que os jornalistas tenham posicionamentos políticos e ideológicos distintos.

Em uma sociedade que mata negros, pobres e mulheres todos os dias. Que o preconceito racial e de gênero é escancarado pelo próprio Estado brasileiro. Nada mais necessário que o sindicato e a categoria se manifestarem e abraçar a luta desses excluídos. O exercício diário do humanismo tem que ser a principal pauta do jornalista. Em tempos de retrocesso civilizatório, em que a barbárie parece vencer a luta a consciência, o jornalista não pode se omitir. Muito menos a entidade representativa, porque eleita, da categoria.

É por isso que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná marcha junto com os excluídos. Na defesa do SUS (Sistema Único de Saúde), na luta contra a desforma da Previdência Social e contras as reformas trabalhistas. O Sindicato tem lado. Um lado oposto aos donos da Mídia. E os jornalistas precisam compreender o momento nacional. Ou seremos, todos, presas fáceis de um sistema que destrói a dignidade humana.

A história da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), agora resgatada pelos jornalistas com compromisso social, nos mostra nosso lado. O posicionamento firme da Fenaj (Federação acional dos Jornalistas) contra o retrocesso político e social aponta o nosso caminho: pela sociedade, pelos excluídos e contra aqueles (a elite conservadora nacional, Mídia incluída) que tratam o ser humano como mercadoria. Somos, enfim, pela dignidade humana e por uma sociedade em que justiça não seja mera palavra. Mas sim, uma justiça Justa.

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Da página do Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná.
José Maschio é jornalista aposentado. José já foi editor do Jornal de Londrina, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e correspondente da Folha de São Paulo.