Experiência de feira e um convite

  –  Um texto de Chaimaa Ghanem  –  


Antes de ser feirante, se alguém me dissesse o quão rica seria a experiência eu não acreditaria. Em 2016, posso dizer que ganhamos um pouco mais de espaço. Duas novas feiras, a do Bosque Guarani e a da Praça Boulevard, foram instaladas. Vou falar especificamente da segunda.
No ínicio, criamos um grupo, que hoje é o conselho de organização da feira, que acreditava naquele espaço; mesmo que abandonado e com várias necessidades. Queríamos o quanto antes ocupar o espaço, mas estávamos na espera do poder público; necessitávamos do ponto de energia, iluminação pública, poda das árvores, a limpeza da praça e um ponto de água. No entanto, já sabíamos que nossa cidade está vivendo um ano conturbado. Dessa forma, foi organizado um mutirão de limpeza, onde arregaçamos as mangas e fomos para praça. Assim,  no dia 10 de novembro foi instalado o ponto de energia e ocorreu a edição piloto, desde então estamos na praça todas as quintas-feiras.
Ao ocupar a praça percebemos que as condições que ela se encontra não são convidativas, e como várias cabeças pensam melhor do que uma, a ideia de pintar os bancos logo surgiu. Em seguida, a sugestão de pintarmos coloridos e, na sequência, por que não fazer desenhos? Isso resultou na atitude de convidar artistas da cidade que quisessem assinar um banco com sua arte. Outro feirante disse: “vamos arrecadar as tintas, todo mundo tem aquele restinho em casa que não vai mais usar”.
Foi assim que surgiu o projeto “Reforma Artística dos Bancos da Praça Boulevard”, encabeçado por Claudia Cañete e Antônio Gil. E aqui estamos nós a arregaçar as mangas outra vez para deixar a praça mais receptiva, para dar mais vida ao local e fazer com que nossos visitantes sintam-se bem.
Como disse no ínicio, meu principal motivo ao escrever era contar um pouco da importância da Feira da Praça Boulevard. Mas e se eu disser que a experiência pessoal está sendo maior que isso? Já usei furadeira, lixadeira, enxada, já pintei as mãos mais que os bancos – tudo pela primeira vez, e sei que ainda vou crescer muito com este projeto.
Se você se interessou e quer ajudar com tintas, solventes, pinceis, adotando um banco, ou de outras formas entre em contato com a gente. Temos uma página no facebook “Feira Praça Boulevard”.
Entre os dias 29 de dezembro e 05 de janeiro estaremos em recesso. Voltaremos no dia 12 de janeiro de 2017, ainda sem o intuito de expor. Durante duas ou três semanas iremos nos dedicar a cuidar do espaço, terminar as pinturas dos bancos, começar a mexer em outros setores, deixando a praça com “cara de carinho”. E, é claro, sempre estaremos abertos a um bate papo, troca de ideias. Passa lá na praça, conversa com a gente; assim vamos fazendo juntos, a praça não é dos feirantes, é nossa. A feira não é dos feirantes, é nossa. O movimento já existe, vamos fazê-lo crescer.
Particularmente estou encantada. Acredito que os espaços públicos devem ser ocupados, utilizados como áreas de lazer e convívio a serviço da população. É questão de hábito, de criarmos essa cultura. Foz do Iguaçu está na maior parte do ano sob altas temperaturas, por que não ir para uma praça que tenha árvores, sombra e espaço para realizarmos atividades?
E as feiras, então? Ao meu ver, as feiras tem muito da identidade de cada lugar. Na nossa, por exemplo, comporta tendas de diferentes etnias, com produtos tradicionais de várias culturas. Quer um espelho melhor da nossa cidade? Isso sem falar nos pequenos produtores, a grande maioria dos que estão nas feiras. É o que a cidade produz, que é o que se sente falta nas grandes lojas.
Aliás, outro movimento que podemos criar (ou intensificar) por aqui é o “compre do pequeno”. Mas é assunto pra se comentar melhor em uma outra vez.


 
Chaimaa Ghanem, 20 anos. Feirante. Microempreendedora da 7temperos – Culinária Árabe, ensino médio concluído e se preparando para o superior.
 

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