Fim da linha

Um poema de Mishta e Manatit

Da Janela do Metrô
Quatro paisagens vistas por dois cegos.

No mormaço de Abril,
a luz apagou de manhã cedo.
O vento gira a popa

Patetas os poetas urraram de alegria.
A vista, desfocada avista

Ele não imaginava quem era
nem para que servia
seus joelhos.
No muro que corre contra o trem

Dos farelos caiu um pão



Batatas apodreceram no armário,
no verde que voa entre os prédios.

Os pés grudaram na lagoa,
com mãos que tocam canela.

Centavos não salvam vidas.
Quando de repente uma chuva
de balas rosa nos banha.

As cores não filosofam sobre
o certo e o errado.
Logo vem o arco-íris com
o tesouro das cerejas.

Olhos claros no escuro.

Que as ovelhas soltem os pastores,
com as pernas cansadas
dos cantos dos jornais.

Sem-vergonha
serelepe
sensual,
com o frio de 38 graus
seguimos a suar

Abracei junto e pensei só.

Com seus ajustados sapatos
de cristais, sujos de sangue,
desembarquei do outro
lado do espelho



O verde mofa, o amarelo seca,
na delicadeza de uma aquarela.
Ansioso esperei a primeira
dança de abril.
A vitória está doente.

De corrosão se abriram
os grilhões.

Na incansável sonolência,
eu ser mais cinza
despercebido estaria.

No não ser gênero
embola a bola,
não espere que o vento
sopre na mesma direção.

(Fim da Linha)

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