Gente

  – Um poema de Lara Aragão  –


Gente que não existe
Gente que não sente dor
Gente que não tem valor
Gente que não importa
Gente que não chora
Gente que não tem nome
Gente que some
Gente que não pode ter lugar
Gente que não merece falar
Gente que queremos apagadas
Ou no mínimo encarceradas
Gente que queremos assalariadas
E humilhadas no chão de fábrica
Gente que a gente não quer nem saber
Gente que a gente não quer nem ver
Gente que não é gente
Gente que não comove a gente
Gente que não tem sentimento
Gente que pode dormir no relento
Gente que pode sangrar
Gente que não pode lutar
Gente que não é gente
Gente que não tem voz
Gente que não tem vez
Gente que insiste em ser gente
Gente que faz insurreição
E leva firme em todo discurso e canção
Que vale a pena morrer por um pedaço de chão
Gente que tem suas próprias cores
Gente que cultiva seus tipos de amores
Gente que grita mais alto que o disparo
Gente que não reconhece cerca nem magistrado
Gente que tem sua própria lei
Gente que ninguém cala
Gente que ninguém enterra
Gente que ninguém mata
Gente que sempre volta
Gente que sempre insiste
Gente que não se abala
Gente que defende sua própria pátria.
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Lara Aragão é estudante de Direito em Navegantes, SC. O poema foi publicado na revista Escrita, 49

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