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Homem comum, poema de Ferreira Gullar

Fotografia de Patricia Iunovich

Rio Paraná, Foz do Iguaçu.

 

Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei

Ferreira Gullar (1930-2016), escritor, poeta, ensaísta, tradutor e crítico de arte brasileiro.

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