Homo Lexicographus

  –  Um dicionário em plena França pós-revolução. Livro mostra trajetória de autor que escreveu durante quase 30 anos obra-prima da lexicografia francesa no século XIX  –  

 

Em pleno Século XIX, na França, tomada pela turbulência política e social pós-revolução de 1789, um médico, filólogo e filósofo produziu uma obra-prima da lexicografia que tomaria quase 30 anos da vida dele: o Dicionário da Língua Francesa. A saga intelectual do autor, Émile Littré, na escrita do dicionário, é tema da obra Homo Lexicographus. O livro será lançado nesta sexta-feira, dia 19, às 19h30, na Aliança Francesa de Foz do Iguaçu, com debate e exibição de vídeo sobre o tema. A entrada é franca.
 
O lançamento
De autoria do médico Pedro Fernandes e da coordenadora de cursos EAD, Jacqueline Nahas o livro é uma antologia com seis capítulos que versam sobre a vida de Littré e o contexto social, político e intelectual da França no Século XIX. Um dos capítulos refere-se à tradução do prefácio do próprio Dicionário da Língua Francesa. Outros dois trazem o texto original em francês, Causerie – Comment j’ai fait mon dictionnaire de la langue française (1880) e a respectiva tradução em português – ConfidênciaComo eu fiz o dicionário da Língua Francesa. Nesse texto, Littré conta como conseguiu escrever a obra em meio a tamanhas dificuldades pessoais, angústias, em uma França dominada por uma sequência de revoluções e instabilidades políticas.
 
Neste capítulo, Littré comenta: “… A dificuldade era maior em Paris, onde a vida é mais agitada. No entanto, como o nulla dies sine linea do provérbio latino, que era praticado ao pé da letra, tudo era compensado, e mesmo reservas, mais úteis que nunca, foram feitas para as distrações. Assim, a construção do meu edifício lexicográfico prosseguiu com o continuísmo que, somente ele, leva a cabo as grandes tarefas. Os grandes esforços intermitentes, por mais enérgicos que sejam, valem pouco. O que vale mesmo é a assiduidade ininterrupta.”
 
A leitura da obra leva o leitor a uma imersão, não só na biografia de Émile Littré. Proporciona, por meio de capítulos escritos por outros quatro autores, uma viagem histórica pela França oitocentista, ou seja, a França da Lexicografia, das Revoluções, da Bele Époque, da Literatura e do Caso Dreyfus que selou o papel preponderante da imprensa enquanto quarto poder. Traz, também, um panorama da lexicografia do século XIX e menciona as etapas de estruturação de um dicionário.
 
Transitavam neste período de prolífica produção intelectual personalidades ilustres a exemplo dos escritores Victor Hugo, Balzac, George Sand e Émile  Zola; do editor e amigo de Littré na época da escola, Louis Christophe Hachette; do médico e fisiologista francês Claude Bernard e do intelectual Augusto Comte.
 
Émile Littré foi médico, filósofo, político, tradutor e filósofo francês. Dedicou sua vida a adquirir e transmitir conhecimentos em diversos campos do saber. A ideia do dicionário surgiu em 1841, quando Littré e Louis Hachette entram em acordo para a escrever a obra. Os primeiros impressos vieram a público somente em 1863. A obra-prima do lexicógrafo francês tem 4 volumes e um total de 2.628 páginas.
” … o [dicionário] Littré pode ser considerado uma obra-prima da lexicografia francesa, mesmo para os modernos critérios lexicográficos. Littré dedicou-se monacalmente à confecção do seu dicionário durante 30 anos. Foi um inovador para o seu tempo”, de acordo com Maria Teresa Biderman, lexicógrafa brasileira, autora do Dicionário Contemporâneo do Português
Serviço:
Lançamento do livro Homo Lexicographus
Dia 19 de maio, às 19h30, na Aliança Francesa de Foz do Iguaçu
Rua Marechal Deodoro, 1108.
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Denise Paro/Assessoria

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