Humana é a palavra

  – 21 de fevereiro é considerado o Dia Internacional da Língua Materna  –  

“Teu idioma é a casa de tua alma, nela vivem seus pais e seus avós. Nessa casa milenar, lugar de tuas recordações, permanece tua palavra”. (Jorge Miguel Cocom Pech, escritor maia).

 
Desde o ano 2000, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco, celebra o dia a 21 de fevereiro como a data Internacional da Língua Materna, com o intuito de promover a diversidade linguística e cultural. A comemoração se origina em acontecimentos sociais ocorridos em Bangladesh, no mesmo dia do mês de fevereiro, quarenta e oito anos antes, em 1952. Naquele dia, um grupo reivindicava que a sua língua materna, o bangla, fosse reconhecida como língua oficial pela estado paquistanês. A polícia e o exército, no entanto, abriram fogo contra a manifestação, matando quatro pessoas.
A importância de se preservar a variedade de línguas, está diretamente ligada à diversidade cultural e à riqueza de vivências contidas nisso. Com a globalização e a aproximação de culturas hegemônicas, muito dessa diversidade está ameaçada. Segundo a Unesco, dos mais de 6 mil idiomas existentes na Terra, aproximadamente 2,5 mil correm risco de desaparecer. Junto com eles, uma imensúravel sabedoria de transmissão oral, também.
O organismo mundial também adverte que perto de 40% da população mundial recebe educação formal e informação massificada em idioma que não entende o suficiente para interpretar o conteúdo. Em muitos casos, a própria escola, ainda que parcialmente protegendo as línguas originárias, as enfraquecem no seu cotidiano e, por conseguinte, em seu seio familiar.

Em risco – Entre as principais línguas sob ameaça de desaparecer, estão os dialetos indígenas. Isso se explica pelo fato das comunidades originárias serem pressionadas cada vez mais a se integrar à cultura dominante, o que resulta aos poucos no abandono de aspectos estruturais da sua própria, incluindo aí, o idioma.
Tomemos apenas como exemplo o zápara, língua de comunidades indígenas do Peru e Equador. Em 2010, a Unesco declarou a língua zápara como Patrimônio Oral Imaterial da Humanidade. Atualmente, no Equador, ela conta com apenas quatro idosos que o praticam fluentemente e sem misturas ou adaptações fonéticas e de significado com o espanhol ou outra língua originária. Além deles, um grupo de jovens da mesma comunidade tenta mante-la viva aprofundando seu estudo e prática. Ainda assim, somam-se menos de 10 indivíduos falantes da língua mais pura.
Por não terem registro por escrito, milhares de línguas como o zápara podem morrer. O desafio atual dos linguistas é recuperar ao menos uma parte dos idiomas e tentar documentá-los. Uma tarefa difícil, mas que apresenta alguma viabilidade com as novas tecnologias e a internet. Ao serem gravadas em áudio ou em vídeo e disponibilizadas na web, essas línguas chegam a mais pessoas e, dessa forma, mais interessados aparecem.
Veja aqui, o Mapa dos Idiomas em risco de extinção
Veja aqui, Mapa de Idiomas e sotaques
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