Lembrança de nossos avós

Diego Ignácio Vera, argentino, operário, aprendiz de marinheiro, aportou em Foz do Iguaçu na início do século XX. Trabalhou na primeira usina de energia elétrica da cidade.

Primeira caldeira, tocada a lenha, para produção de energia em Foz. Na foto, Diego Posa de mãos dadas ao filho Frederico. Eles estão à frente da caldeira que o operário argentino operava na produção de energia elétrica para Foz do Iguaçu na década de 20 do século passado. Na foto, atribuída ao austríaco Hans Marten, também estão o filho do fotógrafo (nome ignorado) e “Juan”, ajudante de Diego na Usina.
(observação: a grafia do nome do fotógrafo pode não estar correta)
(Foto reproduzida da revista Escrita 2 / Guatá)

Neste 12 de novembro, o operário argentino DIEGO INÁCIO VERA estaria completando 124 anos. Morreu em 1977, aos 82 anos. Desses, mais de 60 foram dedicados à vida operária na região trinacional.

Nascido em Posadas no ano de 1895, começou a navegar o rio Paraná aos 14 anos, como aprendiz de marinheiro nos vapores da época. Desembarcou definitivamente na Foz do Iguaçu aos 19 anos.

Diego Ignácio Vera, nos anos 70, no ofício de pedreiro, reformando “heladeria”, em Puerto Iguazú, AR

Aos 23, foi o maquinista a operar a primeira usina do pequeno povoado que gatinhava do lado brasileiro. A partir de uma caldeira de navio – comprada pela intendência municipal e adaptada em solo iguaçuense – o esforço de Diego e de um ajudante produziam algumas horas de energia elétrica. O desafio diário foi, durante anos, o de cortar e carregar lenha, aquecer água oriunda do rio Monjolo e equilibrar vapor e pressão no manuseio da geringonça.

Depois dessa etapa, Diego Vera operou máquinas de produção de energia do lado brasileiro no vale do rio M’Boicy e durante algum tempo na Usina São João, instalada no Parque Nacional do Iguaçu. Também trabalhou do lado argentino, em Puerto Iguazú, onde finalmente se aposentou do trabalho de técnico eletricista.

Nos hiatos de tempo em que ficava sem trabalho nas geradoras de energia, trabalhou como pedreiro (participou da construção do prédio do primeiro aeroporto – hoje sede do Clube Gresfi) e cuidou de uma pequena chácara com agricultura de subsistência. Aposentado, montou uma pequena sorveteria em sociedade com Pepê Bertoni, em Puerto Iguazú.

LEIA O POEMA CIENTO E TANTOS: http://www.guata.com.br/2016/06/10/ciento-e-tantos/

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Silvio Campana / Guatá