"Mafalda" e o aborto

  –  Quino nega que sua personagem mais famosa seja contra legalização do aborto. Imagem da menina vem sendo usada por antiabortistas  –

Quino e a estátua de “Mafalda”, em Buenos Aires, na comemoração dos 50 anos da personagem.
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Nos últimos dias, a pequena que “odeia sopa” apareceu em diversas publicações nas redes sociais com um lenço azul, símbolo dos apoiadores da proibição à interrupção da gravidez em qualquer circunstância.
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As imagens eram acompanhadas por uma frase atribuída ao cartunista argentino Quino que diz: “Me disseram que estão utilizando a imagem de Mafalda sem minha permissão nas campanhas a favor da legalização do aborto. Aproveito a ocasião para esclarecer que Mafalda sempre será a favor da vida”.
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Por conta disso, Quino, 86 anos recém-completados, divulgou um esclarecimento afirmando que nunca autorizou o uso da imagem da personagem por campanhas antiaborto.
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“Foram divulgadas imagens de Mafalda com o lenço azul que simboliza a oposição à lei de interrupção voluntária da gravidez. Não foi autorizado, não reflete a minha posição e solicito que seja removida. Sempre acompanhei as causas dos direitos humanos em geral, e a dos direitos humanos das mulheres em particular, a quem desejo sorte em suas reivindicações”, afirma o cartunista.
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O PROJETO –
O projeto que legaliza a interrupção da gravidez sem restrições até a 14ª semana de gestação foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 14 de junho, por 129 votos a 125. O texto está agora com o Senado. Atualmente, o aborto só é permitido na Argentina em casos de estupro ou risco para a mãe.

Clique e veja como foi a mobilização das mulheres
argentinas para a votação do projeto na Câmara

 

Estudantes argentinas ocupam várias escolas secundaristas em Buenos Aires pela aprovação do projeto no Senado (ElPais)

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ESTUDANTES – O debate parlamentar sobre a despenalização do aborto provocou um terremoto nas escolas da Argentina. O tema, considerado até agora um tabu social, foi motivo de palestras e discussões em inúmeros colégios do ensino médio em todo o país, e os estudantes (especialmente as estudantes) se puseram à frente da campanha para obter sua legalização. Às vésperas da votação na Câmara dos Deputados, os alunos aumentaram a pressão ocupando uma dúzia de escolas públicas de Buenos Aires. A partir delas, exigem que os legisladores aprovem a lei de aborto legal, seguro e gratuito e anulem assim a normativa atual, que remonta a 1921 e só autoriza a interrupção da gravidez em caso de estupro ou de grave risco para a mãe. (Do “El País”)

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Fonte: terra

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