Manifesto da Arte Profunda

  –  Um poema manifesto de Alissa Gottfried  –

 

Atividade do Ecoa Ecoa mescla literatura, cultura digital e atividades lúdicas em bairros populares. (Foto: EcoaEcoa)

 
Manifesto da Arte Profunda
Que a união floral existente entre as mulheres,
Que a tecelagem das palhas guaraníticas
Que a mandinga na pedra redonda do berimbau,
Que o hexágono que acolhe arquitetonicamente a arte das abelhas,
E que o soar ritualístico do grito das cigarras
Estejam presentes e incorporados nos nossos CORPOS
e na PÓS COR
No caminho da paisagem de uma condição humana arteprofundista
Ondas de um Rio
Aterrado em lugares amplos
Fumaça de trem
Cobrindo periferias
Misérias ocasionadas pela indústria
Em resposta a natureza muta
Sucata invade territórios humanos transfigurados
Sucata ideológica
Tecno(i)lógica
Uma relação tensa
Entre o lugar que se vive, ambiente comum e
nossos aparelhos tecnológicos.
Somos levados a repensar
O espaço e nossa relação com a natureza
Em busca da sabedoria de guardar memórias
Pelo máximo de tempo
em um suporte que suporte as máximas do tempo
Biblioteca de novo Floresta
Pegamos um trem para jogar fora
o duro disco rígido,
na aridez das janelas fechadas
Atravessando as portas paralelas
Depois dessa viagem com pessoas híbridas
A tv ficou parada na mesma imagem
Batatas Colhidas em um role de bicicleta
O reencontro com a natureza dentro de casa
Fomos todos em busca de uma outra realidade
Menos cinza, menos concreta
Busque a multidão como escultura
Arranjo meditativo
Retorno às origens,
Conexão com a natureza,
Surfe na pororoca,
Castelos de areia,
Num retorno a arte rupestre
A performance de uma laranjeira prestigiada no acampamento
Nos levam a pensar uma civilização em equilíbrio com o ecossistema planetário…
Paisagem natural x paisagem artificial
Humanos naturais em ambientes artísticos
Mas isso parece nunca ter dado certo
Repetimos o erro e caímos nas trevas
Tudo revirará gelo e ruína
Pela ganância de querer descobrir a salvação da humanidade
Tintas muito poluentes foram nosso erro
Ainda sim, à humanidade resta um vilarejo remoto
Onde sobreviventes da enchente cultivam cerejas
Retomando o diálogo da naturaleza humana com seus artifícios de sobrevivência…
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Alissa Gottfried é estudante de Comunicação Visual em Porto Alegre, RS. Também é uma das coordenadoras do Ponto de Mídia Livre Ecoaecoa Coletivo –  Arte, Educação Popular, Cultura Digital e Ecosofia
 

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