"Manifesto Humanista"

  –  Fotógrafo percorreu 19 estados e 38 cidades do País
durante um ano para registrar o programa “Mais Médicos”  –  


 
“Eu sei como é, minha infância foi assim. Meus pais, analfabetos, nunca foram a médico nenhum. E eu queria ir a esses lugares onde o Estado está chegando pela primeira vez”.  É assim que Araquém Alcântara, celebrado fotógrafo brasileiro, explica o livro “Mais Médicos”, no qual faz um registro do programa do Ministério da Saúde que levou mais de 18 mil médicos a 4 mil municípios do País. A logística da viagem foi bancada pelo governo federal.
Para produzir o livro ‘Mais Médicos’, Araquém visitou cidades em todas as regiões do país. A maior parte dos médicos visitados atua em povoados distantes dos centros urbanos e com pouca ou nenhuma infraestrutura de saúde. Outra parte do roteiro traçado por Araquém inclui redutos pobres em áreas urbanas, como os cortiços do Baixo Glicério, em São Paulo, onde o ponto crítico é o atendimento a usuários de crack; e a famosa comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde o fotógrafo conheceu João Marcelo Goulart, médico brasileiro formado em Cuba, neto do ex-presidente João Goulart.
Araquém colecionou muitas histórias, tantas quantas as fotos que criou. Em Alagoas, conheceu a médica cubana que descobriu que o foco de esquistossomose era causado pelos canais de irrigação dos arrozais. Já em Manaus, fotografou um velhinho, vítima de hanseníase, sem uma das pernas e com os dedos das mãos atrofiados que escreve poemas em homenagem à médica que o atende. Episódios de personagens e cenário simples, que vivem o cotidiano pobre do País.
As fotografias do livro serão expostas em diversas mostras, dentre elas uma em Havana, Cuba, e outra em Genebra, Suíça, na sede da Organização Mundial de Saúde.
 

Em entrevista ao Blog da Saúde, Araquém  contou um pouco
sobre a experiência de registrar
os atendimentos médicos em todo o país:

 
Como surgiu a ideia de fazer o livro?
Como a minha editoria tem uma afinidade com causas humanistas, resolvi fazer um manifesto humanista, muito além de qualquer política, mostrando a importância da presença do estado ocupando os vazios deste país. Ao todo foram 17 estados fotografados durante 12 meses de viagem, com uma ou duas viagens por mês.
Você é conhecido pelo público por um registro da natureza. Foi diferente fotografar esta relação entre as pessoas no atendimento?
Não. O público conhece minhas fotos de natureza, mas conhece menos a minha documentação do homem brasileiro que tem se revelado mais nos últimos livros que tenho feito. Para mim foi um trabalho muito tranquilo, como se eu estivesse fotografando bichos e paisagens, como estou acostumado. Pois no livro eu resolvi intercalar as pessoas, a geografia humana, com a paisagem dos lugares onde estes médicos atuam.
Houve alguma experiência que te marcou durante os meses de trabalho?
Em uma região de quilombolas em Poço Comprido, no interior do estado da Alagoas, encontramos um médico que era da Santeria Cubana, uma religião próxima da nossa Umbanda e do Candomblé. E a parteira do lugar era do Candomblé. Os dois se uniram na espiritualidade para trabalhar pela comunidade e pela região. Isso é uma coisa revolucionária. O médico tendo outras funções e a parteira também. Exercendo uma liderança que deixou a comunidade muito melhor. Outra coisa impressionante, é que eu cheguei a locais que nunca haviam estado médicos. E as pessoas estavam extremamente felizes de ter um médico no lugar. Sobretudo os velhos que se sentiam desamparados. Você sente que o astral muda, agora que eles sabem que tem o atendimento.
Visite a página oficial de Araquém Alcântara, clique aqui

Programa Mais Médicos –
 Segundo dados oficiais, dois anos depois da sua implantação, o programa Mais Médicos  garantiu 18.240 médicos em 4.058 municípios (73% dos municípios brasileiros) e nos 34 distritos de saúde indígenas, enfrentando de forma inequívoca a insuficiência ou mesmo ausência desses profissionais nas periferias das grandes cidades, nos pequenos municípios, comunidades quilombolas indígenas e assentadas, sertão nordestino, populações ribeirinhas, entre outras, que nunca contaram ou não conseguiam fixar médicos. Esses profissionais estão garantindo atendimento a 63 milhões de brasileiros que não contavam com atendimento médico e que agora encontram atendimento nas unidades de saúde próximas de suas casas.


Fonte: Blog da Saúde

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