“Mão na massa e renda extra”: Itaipu apoia projeto de panificação destinado a comunidades carentes

Verba do auxílio emergencial da margem brasileira da usina equipou a cozinha do projeto, que já formou duas turmas neste final de ano.

Mãos na massa. Todos os equipamentos da cozinha foram comprados com recursos do auxílio emergencial da Itaipu. (Foto: divulgação)

 

A ajuda não poderia vir em melhor hora. A margem brasileira de Itaipu garantiu auxílio eventual com repasse de recursos para um projeto assistencial que ensina panificação em comunidades carentes de Foz do Iguaçu (PR). Só nos últimos três meses, 30 pessoas não só conseguiram uma formação, mas também complementar a renda neste fim de ano, marcado pela pandemia e falta de empregos. E o que é melhor: as encomendas não param de chegar.

O projeto Cozinha Solidária é desenvolvido pela Cáritas de Foz do Iguaçu, com apoio de Itaipu Binacional, e funciona na casa de missão Comunidade Obra de Maria.

Os recursos para equipar a cozinha foram obtidos graças ao fundo eventual de Itaipu, ampliado neste ano para ajudar entidades assistenciais que sofreram o impacto econômico da crise do novo coronavírus. A Cáritas foi contemplada com R$ 80 mil, dos quais R$ 27 mil foram utilizados para a compra de 400 cestas básicas. Os R$ 53 mil restantes foram investidos diretamente no Cozinha Solidária.

A iniciativa atende pessoas de todas as idades – de adolescentes a avós –, com ênfase em moradores da ocupação Bubas e bairro Morenitas 2. “São áreas que concentram as famílias mais carentes”, disse o coordenador do projeto e responsável pela casa, missionário Erick Vargas.

A venda de panetones caseiros, iguaria tradicional das festas natalinas, é um dos negócios mais promissores. “Já vendi mais de cem no último mês e tenho encomenda para entregar mais 220 em dezembro”, revelou Célia Roberto Fernandes, moradora da região do Porto Meira.

O espaço destinado ao curso ganhou tudo o que é necessário para a panificação: forno elétrico, batedeira, amassadeira, balança eletrônica, câmara fria, câmara de fermentação, freezer, mesas de inox, armários, assadeiras, talheres e até pia, entre outros itens. Nas aulas, os alunos recebem noções básicas para fabricação de diferentes tipos de pães, bolos e bolachas.

Duas turmas

De setembro para cá, foram formadas duas turmas, com 15 alunos cada – a última turma encerrou as atividades na última semana, com a entrega dos certificados de conclusão. As aulas foram dadas pelo panificador Euzébio Mendonça, que trabalhou de forma voluntária. “No final do curso, os alunos aprenderam a fazer a massa com as mãos, sem utilizar amassadeira ou batedeira. Assim, poderão reproduzir em casa o que aprenderam aqui”, observou Erick Vargas.

Abraçando a oportunidade

Célia Fernandes abraçou a oportunidade. Ela tem trabalho fixo durante a semana, como governanta, mas aproveitava o sábado e o domingo para preparar doces e salgadinhos em casa e reforçar o orçamento familiar. Com a pandemia, as festas – e as encomendas – diminuíram. O marido também perdeu o trabalho fixo. Foi nesta época que ela pesquisou e aprendeu a fazer pãezinhos de inhame, que fez sucesso na vizinhança.

Aí veio o convite para fazer o curso Cozinha Solidária. “Eu fiquei bem animada porque aprendi técnicas que não fazia em casa com os meus pães e cucas. Por exemplo, eu não trabalhava com ‘esponja’ (pré-fermentação), não pincelava meus pães com margarina”, recorda. “Então levei as novas técnicas para casa, modifiquei o trabalho com os pães e o resultado foi excelente.”

Linha de produção

As aulas de panetone permitiram a abertura de uma nova linha de produção na casa da Célia. Ela apresentou a novidade para amigas próximas e logo as encomendas começaram a aparecer. “Recebi uma encomenda de cem panetones de 100 gramas, que o cliente queria dar de presente. Fiquei super feliz”, disse. Agora são mais 220 para diferentes clientes.

“O projeto (Cozinha Solidária) é uma bênção para quem tem interesse. Pode abrir portas de trabalho e ser muito útil para as famílias. Eu só tenho a agradecer”, finaliza.

O coordenador Erick Vargas antecipou que novas turmas devem ser formadas em janeiro, inclusive com a possibilidade de inclusão de modalidades diferentes, como confeitaria. “O apoio de Itaipu foi imprescindível para darmos o pontapé e começarmos o projeto. Agora é conosco.”

O coordenador estratégico da covid-19 da Itaipu, coronel Jorge Aureo, assessor especial do diretor-geral brasileiro, general Joaquim Silva e Luna, disse que “em época de pandemia, os mais necessitados estão mais vulneráveis e precisamos reforçar nosso espírito humano e solidário. Nossa gente é a nossa prioridade. E esse curso está dando essa oportunidade”.

Auxílio emergencial

O auxílio eventual da margem brasileira de Itaipu foi ampliado em 2020 para R$ 5,5 milhões, permitindo o atendimento a entidades assistenciais, sem fins lucrativos, que sofreram impacto econômico causado pela pandemia de covid-19. O valor é mais de três vezes superior ao previsto antes da crise sanitária. Os recursos já beneficiaram quase 30 mil pessoas, direta ou indiretamente, em municípios do Oeste do Paraná.

Itaipu também investiu aproximadamente R$ 30 milhões em ações de combate à covid-19. O valor inclui a reestruturação do Hospital Ministro Costa Cavalcanti (HMCC), mantido pela usina, um convênio com o governo do Estado para contratação de bolsistas da área de saúde em todo o Paraná, e capacitação de guias de turismo – entre outras medidas. Todas as ações seguem as diretrizes do governo federal para ajudar os públicos mais vulneráveis.

Assessoria Itaipu

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