Mostra gratuita no YouTube traz 10 clássicos do cinema japonês

Fundação Clóvis Salgado, organização mantida pelo governo de Minas Gerais,  promove a mostra online Clássicos do Cinema Japonês

“Senhorita Oyu”, do diretor Kenji Mizoguchi. Um dos 10 filmes da mostra.

Segue até o dia 9 de julho a mostra online promovida pela Fundação Clóvis Salgado, de Minas Gerais. Reúne 10 clássicos do cinema japonês. Os filmes que estão disponíveis gratuitamente em Clássicos do Cinema Japonês foram produzidos na “era de ouro” da sétima arte, entre o fim dos anos 1940 e início dos anos 1950.

Os 10 filmes são apresentados com legendas em português e foram selecionados da biografia de quatro importantes diretores japoneses dessa era de ouro: Yasujiro Ozu (1903-1963), Kenji Mizoguchi (1898-1956), Mikio Naruse (1905-1969) e Kinuyo Tanaka (1909-1977). Também haverá sessões especiais, com comentários ao vivo de especialistas após a exibição de um dos filmes de cada diretor pelo canal do YouTube da FCS. Todas serão às 17h, ocorrendo nos dias 22, 24, 26 e 29 de junho.

Produzidos no período pós-Segunda Guerra, os longas retratam a transição da sociedade japonesa entre o tradicional e a modernidade. O release da mostra destaca que as produções se diferenciam do que era produzido nos Estados Unidos por dar foco ao cotidiano comum do Japão, se aproximando à realidade vivida pelos cidadãos e retratando o “banal”.

Confira abaixo as sinopses e o link no YouTube de cada produção. Mais informações pelo site da FCS.

Contos da Lua vaga

Direção: Kenji Mizoguchi
(Ugetsu Monogatari, JAP, 1953) | 12 anos | 97’
Japão, século XVI. A guerra civil destrói casas e famílias, transforma os homens, cada vez mais brutalizados. Genjuro e Tobei querem o lucro e a glória, o primeiro produzindo cerâmicas, o segundo projetando ser samurai.

 

O Sabor do Chá Verde Sobre o Arroz

Direção: Yasujiro Ozu
(Ochazuke No Aji, JAP, 1952)  | Livre | 115’
Taeko e Mokichi mantêm há anos um casamento arranjado, sem filhos e em boas condições financeiras. Taeko considera seu marido, um executivo de uma empresa de engenharia, enfadonho e desinteressante, e o casal vive à beira de uma crise matrimonial. Sua sobrinha Setsuko, por outro lado, decide não aceitar para si um casamento arranjado e se rebela contra essa tradição. Quando Taeko descobre que Mokichi teve um papel decisivo no comportamento de Setsuko, o casal tem uma briga intensa.

Cartas de Amor

Direção: Kinuyo Tanaka
(Koibumi, JAP, 1953) | 12 anos | 98’
Cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Reikichi Mayumi, um homem triste e perturbado, encontra um novo emprego: escrever cartas de amor para outras pessoas. Suas ideias sobre o amor e seus princípios pessoais serão testados quando ele se reencontra com Michiko, sua ex-namorada, uma mulher com um passado sombrio marcado pela guerra e a posterior ocupação de seu país por parte das forças militares norte-americanas. Este clássico melodrama marca a estreia da grande atriz japonesa Kinuyo Tanaka na direção.

Pai e Filha

Direção: Yasujiro Ozu
(Banshun, JAP, 1949) | Livre | 108’
Noriko tem 27 anos de idade e ainda vive com o pai, o senhor Somiya, um professor viúvo, que está tentando convencer sua filha a se casar. Só que Noriko, ainda um pouco ingênua para perceber as pressões que a sociedade japonesa lhe impõe, quer continuar cuidando de Somiya.

Era uma Vez em Tóquio

Direção: Yasujiro Ozu
(Tôkyô Monogatari, JAP, 1953) | 10 anos | 136’
Um casal de idosos deixa sua filha no campo para visitar os outros filhos em Tóquio, cidade que eles nunca tinham ido. Porém, os filhos os recebem com indiferença, e estão sempre muito atarefados para terem tempo para os pais. Apenas a nora, que perdeu o marido na guerra, parece dar atenção aos dois. Quando a mãe fica doente, os filhos vão visitá-la junto com a nora, e complexos sentimentos são revelados.

Senhorita Oyu

Direção: Kenji Mizoguchi
(Oyû-Sama, JAP, 1951) | 14 anos| 93’
Inspirado no romance Ashikari, de Junichiro Tanizaki, um dos mestres da literatura moderna japonesa, o filme acompanha a vida de mulheres da alta sociedade no Japão. Oyu é uma bela e talentosa jovem que se casa, tem um filho e perde o marido antes de completar 21 anos. Sinnosuke está apaixonado por ela, mas a tradição familiar a impede de se casar de novo.

A Música de Gion

Direção: Kenji Mizoguchi
(Gion Bayashi, JAP, 1953) | 12 anos | 85’
No período pós-guerra, no distrito de Gion, em Kyoto, a geisha Miyoharu aceita a jovem Eiko, de apenas 16 anos, como aprendiz.

Batalha das Rosas

Direção: Mikio Naruse
(Bara Kassen, JAP, 1950) | 12 anos | 101’
No Japão, após a morte do Sr. Masago, sua esposa, Satomi Masago, perde a empresa de cosméticos da família para o sr. Mogy devido à enorme quantidade de dívidas contraídas por seu marido. O sr. Mogy chantageia a irmã de Satomi para que ela se case com ele em troca de não mandar Satomi para a cadeia. Satomi entende equivocadamente que a irmã está tendo um caso com seu inimigo e funda uma empresa de cosméticos para competir com a de seu rival, tornando-se uma grande executiva e jurando vingança a quem afastou sua família dos negócios.

Relâmpago

Direção: Mikio Naruse
(Inazuma, JAP, 1952) | Livre | 87’
Kiyoko (Hideko Takamine) é uma jovem que trabalha como guia turística em Tokyo. Kyoko deseja algo mais da vida do que um casamento negociado pela família, o que desagrada muito sua mãe e gera muitos conflitos.

Irmão, Irmã

Direção: Mikio Naruse
(Ani Imôto, JAP, 1953) | 12 anos | 86’
A família de Akaza passa por uma grave crise. Depois de ter perdido seu emprego, ele e sua família sustentam-se com uma pequena loja de sorvetes numa vila rural não muito distante de Tóquio. Para tornar as coisas ainda piores, a filha mais velha da família, Môn, volta grávida de Tóquio, onde trabalhava, após um caso com um jovem estudante. A gravidez e a reputação de Môn, uma jovem que nunca se adaptou à moral de sua cidade, interferem na vida de toda a família.

Os cineastas

Conhecido por examinar profundamente as situações vivenciadas pelo homem comum, principalmente a tensão entre a tradição e a modernidade, Yasujiro Ozu trata dos ciclos de nascimento e morte, a transição da infância para a idade adulta. A II Guerra Mundial também marcou profundamente a obra de Ozu, tornando-o num dos maiores cronistas das mudanças que a família e a intimidade sofreram no pós-guerra. Pessoas comuns, com imperfeições, são abordadas em longos planos fixos, intermediados por espaços vazios.

 

A obra de Kenji Mizoguchi estabelece profundas críticas à sociedade japonesa de sua época, principalmente ao papel das mulheres, das mais diferentes classes, na vida social. Mesmo lidando com temas históricos, Mizoguchi apreende em suas imagens a simplicidade. O cineasta revela, com isso, um novo olhar sobre os seres, a sociedade e suas complexidades.

Kinuyo Tanaka, além de exercer um papel de exímio destaque como atriz, foi a segunda mulher no Japão a atuar como diretora. Sua estreia como cineasta foi em Carta de Amor, de 1953, filme que competiu no Festival de Cannes de 1954, e será exibido na mostra. Tanaka dirigiu mais cinco longas entre 1953 e 1962, e trabalhou posteriormente com a direção de programas televisivos.

Já o roteirista e produtor japonês Mikio Naruse dirigiu cerca de 89 filmes. Dentre os cineastas japoneses, é conhecido por construir narrativas mais sombrias e dramáticas sobre a classe trabalhadora, dando destaque a protagonistas femininas. Também trabalha com o cotidiano familiar e com a interseção entre a cultura japonesa tradicional e a moderna.

 

Por JBOX / Rafael Jibak – Fonte: FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO