Muitas fugiam ao me ver…

  –  Um poema de Carolina de Jesus  –  

Carolina de Jesus a beira do rio Tietê, na vila Canindé, em 1960. (Foto: Audálio Dantas)
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Muitas fugiam ao me ver
Pensando que eu não percebia
Outras pediam pra ler
Os versos que eu escrevia
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Era papel que eu catava
Para custear o meu viver
E no lixo eu encontrava livros para ler
Quantas coisas eu quiz fazer
Fui tolhida pelo preconceito
Se eu extinguir quero renascer
Num país que predomina o preto
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Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.

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Carolina Maria de Jesus, em “Antologia pessoal”.
(Organização: José Carlos Sebe Bom Meihy). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996.

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