Na estrada

  – Rock’n’roll embala trajeto entre a barreira e o PTI  –

Seleção de Ronaldo inclui clássicos como Pink Floyd, ACDC e Metallica

 
A viagem de quase seis quilômetros entre a barreira da Itaipu Binacional e o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) é curta – leva cerca de 10 minutos -, mas foi tempo suficiente para que o motorista Ronaldo Wagner Felipe conquistasse vários fãs. Não apenas pelos dons na boleia, e sim pelo gosto musical: fã de rock’n’roll – “desde que me conheço por gente” – , todos os dias Ronaldo monta uma lista de músicas diferente e aumenta o som no ônibus. Tem gente até abandonando os fones de ouvido para curtir a sonzeira.
Desde o começo de julho, quando Ronaldo entrou na escala do ônibus PTI – Barreira, houve o registro de muitos elogios na página oficial do PTI no Facebook e até nos corredores do Parque ouviu-se muitos elogios sobre a seleção musical do motorista de ônibus. Mas justamente nesta quinta-feira, 13, quando se comemora o Dia Mundial do Rock, o trajeto não contará com o condutor do rock’n’roll, que vai curtir a data em uma merecida folga.
Ronaldo Wagner Felipe : “Música tem efeito terapêutico”

Mas, afinal, de onde vem esta preferência musical de Ronaldo? Afinal, ele mesmo já sentiu que muitas pessoas estranham seu gosto. E até já se acostumou a ouvir a frase “você não tem cara de roqueiro”. Mas ele retruca: “Não precisa ter cara. Basta saber gostar das coisas boas da vida”. Para Ronaldo, música tem efeito terapêutico. Ele afirma que escuta de tudo, mas acredita que o rock’n’roll é o melhor gênero para motivar as pessoas.
“Já teve gente que me disse ‘eu vim preocupado, entrei no seu ônibus e meu dia mudou completamente’. Chegou a me arrepiar, porque com um simples gesto desses você ajuda uma pessoa”, comenta o motorista.
Houve até um aluno que confessou para o motorista que ouvir rock durante o percurso deu mais ânimo para estudar ou para fazer provas. Além disso, as seleções de Ronaldo – que incluem clássicos como Pink Floyd, Guns N’Roses, Bon Jovi, Kiss, Metallica e Red Hot Chilli Peppers – despertam a nostalgia de muitos passageiros. “Músicas marcam fases da vida. Aí o cara escuta no ônibus e lembra daquela fase boa que passou”, ressalta o motorista.
O técnico-administrativo Luiz Fernando Kiihl Matias, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), foi um dos que aprovaram as músicas escolhidas por Ronaldo. Tanto que na última semana chegou a postar um vídeo do trajeto, quando tocava “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd. Ele achou que a música veio a calhar com o momento – de estar indo trabalhar em uma universidade e com o que pensa sobre educação: “não ser somente mais um tijolo na parede”.
Matias comenta que, geralmente, os motoristas colocam som em um volume para curtirem sozinhos. “Foi legal porque ele compartilhou e todo mundo curte. Tem outro rapaz que curte eletrônica e também é bacana. É legal essa variedade e essa coisa da personalidade”. Ele avalia que realçar esses traços da personalidade ajuda a amenizar a invisibilidade que caracteriza algumas profissões. Ronaldo concorda. “Até o bom dia aumentou. Parece que aproxima mais”.
A professora Tania Mara Aristimunho Vargas, do Controle Interno do PTI, espera para pegar o ônibus no horário em que sabe que Ronaldo esta dirigindo, só para curtir o rock’n’roll, estilo pelo qual é fanática. Para ela, a música fora dos fones de ouvido conecta as pessoas dentro do coletivo. “Dentro do ônibus, na altura em que ele coloca a música, todo mundo fica ligado no que está fazendo. Um olha para o outro, as pessoas riem. Ele já foi até aplaudido”. “Acho que é um estilo de música que poucos não gostam”, opina Tania.
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Guatá/ Extraído da página de notícias do PTI.

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