Na rua

Marcha em Foz pede igualdade, direitos e fim da violência contra a mulher. Salários mais baixos para as mesmas funções, trabalho doméstico não remunerado e feminicídio fizeram parte das denúncias do movimento.

Mesmo estudando mais, as mulheres recebem salários e aposentadorias menores em relação aos homens, têm taxas de desemprego mais altas e são responsáveis por realizar a maior parte do trabalho doméstico, conforme diferentes pesquisas. Os casos de violência de gênero e de feminicídio não param de crescer nas cidades e no Brasil.

Diante desse cenário, a Marcha das Mulheres em Foz do Iguaçu, realizada nesse sábado, 7, exigiu igualdade de direitos e o fim das violências contra a mulher, além de enfatizar os casos de agressão e exploração sexual infantojuvenil. Dezenas de crianças participaram da mobilização acompanhadas de suas mães.

O movimento reivindicou o esclarecimento sobre quem foram os mandantes e as circunstâncias da execução da vereadora carioca Marielle Franco, ocorrida há dois anos. A trajetória de Marielle é uma referência para a luta das mulheres por direitos em todo o Brasil.

As ruas da região central foram percorridas por mulheres e homens com bandeiras, cartazes e palavras de ordem. O governo de Jair Bolsonaro foi criticado durante a mobilização devido ao corte de investimentos e de programas públicos, assim como pelas declarações do presidente consideradas machistas e de estímulo à violência.

“Fomos às ruas para dizer que não é normal que de três a quatro mulheres sejam vítimas de feminicídio no país todos os dias. Que sociedade é esta onde uma mulher é agredida a cada sete minutos?”, questionou Cátia Castro, uma das organizadoras da Marcha das Mulheres. “Esse movimento também é para que nossas crianças não sejam abusadas e violentadas sexualmente como acontece”, enfatizou.

Cátia: “Que sociedade é esta onde uma mulher é agredida a cada sete minutos?” (Fotos: Marcos Labanca)

O alto número de desemprego, a precarização do trabalho e a restrição do acesso à aposentadoria também foram denunciados. “O governo impôs a reforma trabalhista alegando que a medida geraria empregos. O número de desempregados aumentou, e os trabalhadores perderam direitos”, acentuou Cátia.

“Disseram que a reforma da Previdência iria fazer o Brasil sair da crise, o dólar baixaria e o país voltaria a crescer. Isso não aconteceu. Porém as trabalhadoras e trabalhadores praticamente precisam agora laborar a vida inteira para se aposentar, e ainda com benefícios mais baixos”, refletiu.

Arte e conscientização

A concentração para a Marcha das Mulheres foi na praça do Bosque Guarani. No local, mulheres de diferentes segmentos e áreas de atuação utilizaram o microfone aberto para denunciar as desigualdades e exigir direitos. Na área pública, foram confeccionados cartazes, faixas e outros materiais para a passeata.

Pelo percurso da manifestação, comerciárias e moradores da cidade que estavam em lojas comerciais do centro manifestaram apoio à marcha e suas bandeiras. As batuqueiras do grupo de maracatu Baque Mulher acompanharam a passeata, ditando o ritmo do movimento com a percussão.

“A arte e os artistas devem estar sempre em momentos como este para reafirmar o valor da vida e questionar a barbárie”, frisou a servidora pública Valentina Rocha, coordenadora do Baque Mulher. “Queremos igualdade e enfrentamos todo o tipo de violência e opressão presente na sociedade”, sublinhou.

Expressões da fronteira

Na mobilização, foi instalada a exposição “Vozes da fronteira: linguagens artísticas de mulheres da região trinacional”, com poemas e desenhos de 30 mulheres que vivenciaram alguma experiência social e cultural nas Três Fronteiras. Organizada pela Associação Guatá, a montagem reuniu textos intimistas, de cunho pessoal, e de abordagem política.

Organização

A Marcha das Mulheres integra a agenda alusiva ao Dia Internacional da Mulher, que segue com atividades até o dia 18 de março. A programação é organizada pelo Coletivo Mulheres Sem Fronteiras, que reúne integrantes de entidades estudantis, sindicatos, movimentos sociais e populares, entre outros setores.

Programação

Dia 11, quarta-feira
19h30, na Unioeste/Foz (Auditório Alcibíades Luiz Orlando)
Palestra “Mulheres na universidade: uma verdade inconveniente”, ministrada pela professora doutora Márcia Barbosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Dia 13, sexta-feira
19h30, na Unila (Jardim Universitário)
Cine-debate “Sozinhas, um sonho impossível”, mediado por Sandra Rocha e Luiza Angelo.

Dia 14, sábado
8h, em frente à Câmara de Vereadores de Foz
Ato Memória e Justiça por Marielle Franco, data em que se completarão dois anos da execução da vereadora do Rio de Janeiro, ícone da luta por direitos e contra a violência de gênero no Brasil.

20h, no Sudacas – Oficina Clandestina
Cineclube “Retrato de uma jovem em chamas”.

Dia 18, quarta-feira
Às 9h30, na Câmara de Vereadores de Foz
Audiência pública sobre o aumento dos casos de feminicídio.

Ao longo do dia
Greve Nacional da Educação, com paralisação de estudantes e professores.

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(Texto: Coletivo Mulheres Sem Fronteiras. Fotos: Marcos Labanca)

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