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NÃO ME PEÇAM RAZÕES, DE JOSÉ SARAMAGO

Não me peçam razões, que não as tenho,

Ou darei quantas queiram: bem sabemos

Que razões são palavras, todas nascem

Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda

A força de maré que me enche o peito,

Este estar mal no mundo e nesta lei:

Não me peçam razões, ou que as desculpe,

Deste modo de amar e destruir:

Quando a noite é de mais é que amanhece

A cor de primavera que há-de-vir.

 

José Saramago, escritor português, prêmio Nobel de Literatura. 1922-2010. Em “Os Poemas Possíveis”.

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