Ñe'ẽ porã

  – Maitei UNILA propõe um diálogo sobre saberes linguísticos e cultura guarani nesta quarta (14)  –


 
Promover um espaço aberto ao diálogo sobre cultura guarani é a proposta do Maitei (saudação em guarani) UNILA, evento que acontece nesta quarta-feira (14), a partir das 9h, na sala C211, do Jardim Universitário. O encontro terá debates sobre saberes linguísticos e aspectos culturais do guarani, além de atividades artísticas, roda de tereré e exibição de material audiovisual. O evento traz, nesse contexto, a trajetória do projeto de iniciação científica Diversidad lingüístico-cultural, los saberes locales de América Latina e o projeto de extensão Culturas Guaraníes: aspectos socioculturales, diversidad lingüística y transmisión de saberes, ambos coordenados pela professora de Línguas da UNILA Maria Eta Vieira. O evento está sendo organizado pelos bolsistas dos projetos, com apoio do Parque Tecnológico Itaipu.

O estudante Sérgio Escobar, a acadêmica Leidy Godoy (centro) e a docente de Línguas da UNILA, Maria Eta Vieira

“Os estudantes da UNILA trazem conhecimentos culturais e linguísticos que precisamos valorizar. Nesse sentido, é importante que haja o reconhecimento e a revalorização de sua própria cultura”, coloca a docente. Ela conta que seu despertar para a língua guarani, na Universidade, teve como um dos pontos de partida uma apresentação de um estudante paraguaio, feita no idioma guarani, no período inicial de surgimento da UNILA.
Em 2011, nascem os projetos de extensão e pesquisa, para valorizar a diversidade cultural e linguística. Um viés da pesquisa tem sido feito por meio da história de vida oral. Os estudantes da UNILA realizam entrevistas com parentes e moradores de suas comunidades, para refletirem sobre a língua materna e a cultura, em situações e ambientes do cotidiano. Os projetos também envolvem o curso de guarani para a comunidade de Foz do Iguaçu e região.
 
“Havia um interesse dos estudantes em aprender e também ensinar o idioma. E, nos cursos de guarani da UNILA, havia a presença de moradores da região que convivem com pessoas que só falam guarani e outros que precisavam dialogar nessa língua para entender o outro”, relata Vieira. Os cursos de guarani seguem na Universidade, com previsão de abertura de vagas, para o próximo semestre, a partir de julho. No evento Maitei, será apresentada uma novidade que estará presente nos cursos: um material didático audiovisual, que está sendo produzido pelos estudantes da Universidade.
“São materiais para que as pessoas sintam-se identificadas com situações em que o guarani possa ser aplicado no dia a dia. Também fizemos recompilação de materiais antigos, já gravados, e criamos materiais dinâmicos, autênticos e atualizados”, conta o colombiano Sérgio Escobar, bolsista do projeto de extensão e estudante de Cinema e Audiovisual da UNILA.
MISTURA – “Nos vídeos, haverá pessoas que falam em guarani, outras que aprenderam a língua com diferentes sotaques, experiências de pessoas que compartilham o guarani e estimulam os outros a conhecerem o idioma, além de metodologias de ensino”, explica Leidy Godoy, estudante paraguaia do curso de Letras, Artes e Mediação Cultural e bolsista do projeto de iniciação científica.
A estudante também é professora de guarani na UNILA e um exemplo de como o reconhecimento da língua materna influenciou na valorização de sua cultura. “Até um dia antes de vir à UNILA, minha trajetória era de não valorizar a língua guarani, assim como acontecia na minha cidade, Coronel Oviedo (Paraguai). Quando ouvi o guarani na Universidade, outras pessoas falando, brasileiros, estrangeiros interessados no idioma, passei a valorizar muitísssimo, e isso abriu portas de um mundo, inclusive de conhecer mais a cultura dos povos originários”, conta.
Leidy relata, ainda, que passou a ter outra visão sobre sua língua e sua cultura – ambas indissociáveis. “Os projetos que trabalham com a questão guarani também fazem com que haja uma valorização das raízes da América Latina, dos povos originários. Isso não só por parte dos paraguaios, mas também de pessoas de outras nacionalidades. No caso do guarani, fui percebendo que há uma relação muito forte da cultura guarani com a natureza, em diversas palavras”, conta a acadêmica, que também se autodenomina Yvoty Mimbi (flor vitoriosa). Segundo ela, assim o fez antes de saber que há uma tradição guarani na qual a escolha do nome acontece a partir de uma identificação que não é imposta pelos pais.
Serviço
Maitei UNILA
Data: 14 de junho (quarta-feira), das 9h às 12h.
Local: Sala C211, Jardim Universitário (Av. Tarquínio Joslin dos Santos, 1000)
Gratuito e aberto ao público
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Assessoria Unila

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