O bêbado e a equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco

Uma letra de Aldir Blanc. Um cartum de Latuff

Aldir Blanc, por Latuff. O compositor e escritor morreu no dia 4 de maio de 2020, ao 73 anos, por complicações da Covid-19.

 

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona de um bordel
Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco
Louco, o bêbado com chapéu-côco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete
Chora a nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarices no solo do Brasil
Mas sei, que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar

 

Aldir Blanc (1946-2020), escritor, compositor brasileiro. Autor da letra “O bêbado e a equilibrista”, considerado o hino da Anistia.
Latuff, cartunista brasileiro.

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