O Dia e a Noite

  –  Duas lendas indígenas sobre o Dia e a Noite. A primeira versão oriunda do povo Kayabi (*). A outra, dos Karajás (**)  –

 
No início não tem tinha nem dia nem noite. 
No início do mundo as coisas eram todas mal feitas.
Não tinha a noite, só existia o sol.
O dia não tinha fim.
As pessoas trabalhavam sem parar.
Quando dava sono, elas dormiam, acordavam, e o sol estava no mesmo lugar.
O sol era muito quente, a gente assava peixe, cozinhava e torrava farinha na quentura do sol.
Até que certo dia o pajé pensou em mudar.
Ele pegou duas cabaças de amendoim, uma com amendoim branco e outra com amendoim preto.
Primeiro ele quebrou a cabaça de amendoim preto, e a noite chegou.
O pajé dormiu para fazer a distância da noite.
Ele acordou às 3 horas da manhã e disse: Vou dormir mais um pouco.
Quando deram 5 horas, ele quebrou a outra cabaça, de amendoim branco, e o dia clareou.
Por isso é que temos o dia e a noite.
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(*)Lenda recopilada por Aturi Kayabi, pesquisador e professor indígena, in Geografia Indígena.
Parque Indígena do Xingu. MEC/SEF/DPEF – Instituto Socioambiental, Brasília, 1988

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O Dia e a Noite, numa animação com texto adaptado
de Rui de Oliveira inspirado no mito dos Karajás

http://https://www.youtube.com/watch?v=v4LERka3bOY
 

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O Dia e a Noite, segundo os Karajás:
 
No começo do mundo só havia dia.
A noite estava adormecida nas profundezas das águas com Boiúna, uma cobra grande que era senhora do rio.
A filha de Boiúna, uma moça muito bonita, havia se casado com um rapaz de um vilarejo, nas margens do rio.
Na hora de dormir, ela não conseguia e explicava para o marido:
– É porque ainda não é noite!
Um dia, a moça pediu ao marido que fosse buscar a noite na casa de sua mãe.
Ele mandou três amigos às profundezas do rio para falar com Boiúna.
Boiúna colocou a noite dentro de um caroço de tucumã, uma fruta da palmeira, e mandou entregar como se fosse um presente para sua filha.
Os três amigos carregavam o tucumã quando ouviram o barulho de sapinhos e grilos, bichinhos que só cantam à noite.
Curiosos, resolveram abrir o tucumã para ver que barulho era aquele.
Quando o tucumã foi aberto, a noite escapou e tomou conta de tudo.
O mundo virou uma escuridão só.
A filha de Boiúna viu o que tinha acontecido e tentou separar a noite do dia.
Pegou dois fios, enrolou o primeiro, pintou de branco e disse:
– Você será Cujubim e vai cantar sempre que o dia nascer.
Então, soltou o fio, que se transformou em pássaro, e saiu voando.
Depois, enrolou o outro fio, jogou cinza sobre ele e disse:
– Você será Coruja, e cantará quando a noite chegar. A coruja saiu voando.
A partir desse dia, o mundo passou a ter dia e noite.
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(**)Lenda adaptada a partir de mito Karajá.

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