O olho enxerga e o braço é curto

Um poema de Ali Moussa (*)

Num momento,
Só o coração bate.
Sem ver,
Ele bate.
Sem poder fazer,
Mesmo assim ele sente.
Sinto o mundo.
Sinto a incapacidade
De ser
Humano.

Já era difícil aguentar a saudade da minha mãe,
A saudade de meu avô,
Quando ainda tinha
A certeza que estavam bem
Lá, em nossa velha casinha.
Lá, na Libania….

E agora?
Com tudo isso,
Com tanta selvageria,
Com tantas bombas,
Com a covardia do forte
Em cima do fraco

E agora, o que eu faço?

(*) Poema escrito e dedicado pelo autor ao seus conterrâneos libaneses que enfrentavam bombardeios israelenses à época da publicação, em 2006.

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Ali Moussa – é árabe-libanês, naturalizado brasileiro. À época da publicação original, em 2006, era comerciante em Foz do Iguaçu.
Poesia publicada na revista escrita número 2.
O poema foi escrito em árabe e traduzido para o português pelo próprio autor, especialmente para a revista Escrita.

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