"O País sem índios"

Filme que mostra o silenciamento dos Charruas é lançado em Festival Internacional de Cinema e Direitos Humanos no Uruguai

“País sin indios” é o título original de um documentário de Leonardo Rodríguez e Nicolás Soto, que aborda questões indígenas no Uruguai através da história de Roberto e Mónica, dois descendentes de charruas, que reivindicam suas raízes. O filme foi lançado na oitava edição do “Tenemos que Ver’ – Festival Internacional de Cinema e Direitos Humanos. Realizado em Montevidéu, durante o mês de julho, este ano o festival tem como eixo temático os povos originários e o meio ambiente no continente americano.

O longa-metragem trata da formação étnica uruguaia a partir da pesquisa e investigação sobre a presença Charrua. Dispersos por todo o Uruguai, os grupos de indígenas não se caracterizam por comunidades vivendo no mesmo espaço, mas descendentes que foram assimilados pelo sistema e que em sua maioria perderam o vínculo com a sua identidade.

Segundo seus diretores, o objetivo do filme é “dar voz a um grupo de pessoas que não estão sendo ouvidas” e rever a idéia, que sempre foi dita, de que o Uruguai é um país sem índios.

Nicolás e Leonardo, os diretores do documentário “O País sem Índios”
Clique aqui e leia entrevista dos diretores
concedida em 2017, em meio às filmagens

O filme – No documentário O País Sem índios, os diretores Nicolás Soto e Leonardo Rodríguez escolheram dois personagens para retratar a situação da população indígena do Uruguai a partir da história de Roberto, um trabalhador rural, e Mônica, uma professora de matemática. Descendentes charruas, eles vivem cada qual a sua maneira. Ao mesmo tempo, acadêmicos fornecem dados que permitem entender o cenário atual de uma perspectiva renovada e questionar o Uruguai que ainda se vê como “um país sem índios”.

Mônica é uma professora de Matemática
que vive em Montevidéo. (Foto: Nico Soto
)
Roberto é um trabalhador rural que faz a resistência
charrua no campo (foto: Nico Soto)

Do seu lugar na terra, Roberto vive com base em seus valores com naturalidade e discrição. Respeitando a natureza e com um relacionamento especial com os cavalos, ele não sente a necessidade de uma luta política para reivindicar sua identidade. Mônica, por sua vez, tem um papel de liderança no movimento indígena: leva sua luta aos espaços jurídicos e acadêmicos dentro e fora das fronteiras, para obter o reconhecimento da existência do povo uruguaio e fazer justiça pelos crimes da história.

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Guatá / Fonte: Tenemos Que Ver e Instituto Humanitas

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