O ponto final

  –  Um texto de Richard de Souza  –


Ele nos chama. E nós vamos.
Os hábitos arraigados nos levam a isso. Não há advertência que nos faça pensar em outras maneiras.
Quão pobre é o ser humano na compreensão das possibilidades…
Falta-nos a simplicidade das outras espécies: manter a sobrevivência e a evolução do grupo garante as chances do individuo. Não o contrário.
Uma vez aprendi que “economia é a ciência da escassez”. Algo assim.
Mas o que são recursos escassos? Do que precisamos realmente?
Ainda bem que um bicho não precisa pensar nestes grandiosos temas. Ele só vive. Ou morre.
Nós humanos, ao contrário, nos colocamos tantos dilemas e necessidades que a vida parece passar assim, num vapt-vupt.
Como se sempre faltasse tempo ou alguma outra coisa.
Está na hora da ciência das escolhas. O que inclui pensar. Preciso antes do quero.
Veríamos que muita coisa não nos são de utilidade alguma. Ou que poderiam esperar um pouco mais, ficando guardadas em nossa ilimitada “caixa de desejos”.
E, também, que muitos atos simples, hoje encarados como verdadeiros sacrifícios, seriam realizados com uma normalidade absurda.
Como, por exemplo, separa devidamente nosso lixo caseiro. Nos toma tempo, mas não é tanto assim.
Ou, que precisamos de grana, claro, porém não para gastar em tanta besteira como fazemos hoje, onde não sabemos mais o que é “primeira necessidade”. Será que um “NIKE” é?
Coisas simples, como se pode ver, mas que na vida atual se perderam frente aos desejos que nos forma incutidos, com extrema competência, pelo “sistema” – uso esta palavra fria porque não me ocorre outra – de forma gradual bem estudada e adaptada a cada momento e situação.
Tiro o chapéu para os caras.
Afinal, hoje o rock e o jeans não simbolizam mais o protesto.
E virar o “espírito” com que as coisas nascem ao avesso é um feito brilhante.
Todavia, isto é normal. O que não é normal é aceitarmos tudo do jeito que vem.
Somo humanos, lembram-se… podemos pensar, discernir.
Isto é o que falta. Ai poderemos nos afastar do tão falado “apocalipse”. Tanto o do nosso planeta, como também daquele nosso – o individual.
Simples mudanças no nosso comportamento, na nossa ética e nas nossas ações fazem muito mais do que as receitas milagrosas contidas nestes milhares de livros e filmes de auto-ajuda.
Afinal, como pode cada um continuar pensando em si mesmo, em melhorar sua qualidade de vida e em encontrar sua felicidade, caminho que pressupõe que o individuo é uma ilha dentro da humanidade, sem interligações?
Volto ao que disse no inicio: num aspecto devemos agir como os outros animais (e plantas por que não). Lutar para garantir o progresso de nossa espécie como um todo.
Claro que aproveitando os recursos extras que temos em relação aos outros seres vivos, como o uso potencializado da inteligência e do modo de penar abstrato com os quais a evolução nos dotou.
Ai sim deixaremos de ser um Homo Sapiens de 3ª categoria.
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Richard de Souza, brasileiro, é dekassegui trabalhando como operário em Osaka, no Japão. O texto acima foi publicado na Escrita 26

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