O povo é a poesia

–  Guatá realiza mais uma rodada da Epidemia de Poesia no TTU  –

Às vésperas do dia 10 de junho, quando Foz do Iguaçu comemorará 102 anos de emancipação política, a Guatá promoveu mais uma sessão do projeto Epidemia de Poesia no Terminal de Transportes Urbanos, no centro da cidade. Uma exposição de fotos antigas que se mesclaram à poesias de Mario Quintana e, uma outra, de vários autores locais e nacionais, ocuparam os vãos do Terminal. Nos ônibus, mais de cinquenta poemas curtos tomando a atenção dos passageiros. E, centralizando isso tudo, a banca de leitura que virou ponto de encontro da literatura com a linguagem popular no TTU.
Ela é montada de forma utilitária mesmo. Acesso fácil, variedade de materiais, que vão de revistas e livretos aos folhetos e colantes de poesia, uma espécie que literalmente adere a poesia na vida dos transeuntes para sempre. E na ponta de lança do trabalho, as agentes de leitura da Guatá. Mais do que mediadoras do acesso ao acervo, as agentes estimulam e valorizam a expressão dos que passam pelo espaço destinado ao Epidemia de Poesia.
É, como gosta de contar a Kariny Wermouth, coordenadora do projeto: “a poesia mesmo está na expressão do povo. As pessoas tem muito a contar e a traduzir da vida, tanto quanto os autores do nosso material instalado na banca”.
É assim a filosofia de trabalho da Guatá. A expectativa que move todo o trabalho dos facilitadores de leitura é simplesmente trocar saberes, estabelecendo canais para o que já está escrito e editado embarque nas mãos dos passageiros do Terminal. Em troca, esperam as deliciosas histórias e reações emotivas de quem se aproxima e dialoga com as fotos e poesias das exposições.
Pode ser um descendente de povos originários que se reconhece numa foto; pode ser uma outra passageira que apressada quer saber  o que quer dizer Brecht na sua poesia militante. Também há aqueles que se reconhecem nas fotos antigas, através da memória do que o avô tenha contado. A vida vai passando assim naquele pedaço de calçada do Terminal.
No final de cada sessão do projeto Epidemia de Poesia, fica a conclusão de que ela, assim, aos montes, de mão em mão ou estendida em varais é mesmo uma forma de retorná-la à sua gênese e razão: a sensibilidade e a sabedoria do povo.


 
Assessoria Guatá. Fotos Tania Rodriguez e Mariana Fernandez